El Niño deve ganhar força na primavera e coloca litoral de SP em atenção

Fenômeno tem mais de 90% de chance de atingir intensidade muito forte no trimestre; projeções indicam chuva acima da média em parte de São Paulo

Lenildo Silva
Publicado em 11/09/2026, às 13h58

Reunião de avaliação do Cemaden apresentou cenários climáticos e hidrológicos para os próximos meses - Imagem ilustrativa/Pexels


O El Niño deve se intensificar durante a primavera de 2026 e alcançar intensidade muito forte, cenário que amplia a atenção para os efeitos da chuva e das temperaturas elevadas no estado de São Paulo.

As perspectivas foram discutidas na 94ª Reunião de Avaliação e Previsão de Impactos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

O fenômeno está configurado desde junho. O Painel El Niño 2026-2027 aponta probabilidade superior a 90% de um evento muito forte no trimestre formado por setembro, outubro e novembro. A previsão sazonal indica maior possibilidade de chuva acima da média na Região Sul e em parte dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.



Para as temperaturas, o cenário aponta valores acima da média em grande parte do país durante o trimestre. A condição não significa calor constante: frentes frias e massas de ar polar ainda podem provocar quedas pontuais de temperatura durante a primavera.

Primavera marca transição para período mais chuvoso

Durante a reunião do Cemaden, a meteorologista Caroline Vidal, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explicou que setembro, outubro e novembro integram uma fase de transição gradual para o período chuvoso na Região Sudeste.

Com a intensificação do El Niño no oceano Pacífico Equatorial, as projeções apresentadas indicam expansão da área com tendência de precipitação acima do padrão, partindo da região Sul e alcançando parte de São Paulo.



O cenário exige cautela na interpretação para o litoral paulista. Previsões sazonais apontam tendências para períodos de meses e áreas extensas e, portanto, não significam que todos os municípios da Baixada Santista e do litoral norte terão chuva acima da média durante todo o trimestre.

Rios também entram no radar

A avaliação hidrológica apresentada na reunião apontou mudanças recentes nos níveis de rios do Sudeste e de setores litorâneos. Segundo a pesquisadora Larissa Antunes, alguns cursos d'água passaram de níveis baixos para condições superiores às médias esperadas.

As projeções sazonais também indicaram possibilidade de vazões elevadas em bacias da porção leste e costeira de São Paulo. O cenário reforça a importância do acompanhamento das condições hidrológicas conforme a primavera avança e o período chuvoso se estabelece.



A sala de situação do Cemaden também apresentou o panorama dos alertas recentes. A maior parte ficou no nível moderado, com ocorrências relacionadas principalmente a riscos hidrológicos e movimentos de massa, como deslizamentos em áreas de encosta.

No litoral paulista, a combinação entre períodos de chuva persistente, saturação do solo e características do relevo exige acompanhamento principalmente nas áreas vulneráveis. O risco efetivo, entretanto, depende das condições meteorológicas e do solo em cada período e deve ser acompanhado pelos alertas oficiais.

El Niño pode ficar muito forte

O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Tropical, principalmente nas regiões central e centro-leste. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões.



O boletim mais recente do Painel El Niño, elaborado por órgãos como Cemaden, Inpe, Inmet, ANA e Serviço Geológico do Brasil, indica que o fenômeno deve permanecer pelo menos até o início de 2027. A expectativa é de intensificação durante a primavera (22 de setembro a 21 de dezembro) e o verão (21 de dezembro e 21 de março).

Para o trimestre setembro-outubro-novembro, a probabilidade de um El Niño muito forte supera 90%. A projeção reforça a necessidade de acompanhar as atualizações meteorológicas e os alertas de curto prazo, especialmente porque uma previsão climática sazonal não determina onde ou quando ocorrerá um episódio específico de chuva extrema.

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