Urbanismo sustentável transforma comunidades e garante inclusão em Cubatão

Projetos habitacionais em Cubatão integram moradia, áreas verdes, lazer e mobilidade, com soluções sustentáveis e inclusão social

Eleni Nogueira
Publicado em 03/11/2025, às 14h02

Protótipo de casa flutuante, no Parque Linear do Jardim Casqueiro, em Cubatão - Heloisa Sacadalssy


Cubatão, na Baixada Santista, litoral paulista, avança em projetos habitacionais que unem urbanismo sustentável, inclusão socioambiental e equidade climática. O município se destaca por integrar mobilidade, áreas verdes, lazer, economia local e soluções inovadoras, como casas flutuantes para pescadores, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de milhares de famílias.

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“Nossa meta é dar dignidade às pessoas. Sonho com o dia em que a população viva com segurança, saúde, educação, lazer e meio ambiente equilibrado”, afirma Andrea Castro, vice-prefeita e secretária de Habitação de Cubatão. 



Na quinta-feira, 30 de setembro, a prefeitura inaugurou o protótipo das casas flutuantes, projeto inédito no país voltado à habitação social. As duas unidades, erguidas no Parque Linear do Jardim Casqueiro, integram o plano de urbanização da Vila dos Pescadores, bairro com cerca de 10 mil moradores. 

Protótipos de casas flutuantes, que serão destinadas à famílias da Vila dos Pescadores - Thiago Cunha

 

As casas flutuantes, com 54m² e feitas em aço naval, representam solução pioneira em resiliência urbana, tornando-se referência em adaptação às mudanças climáticas. Serão 80 unidades projetadas para se integrar de forma inteligente à geografia costeira e às necessidades da comunidade pesqueira, cuja identidade está ligada ao rio Casqueiro.



Segundo Andréa Castro, o pedido partiu dos próprios moradores. “Elas serão distribuídas por sorteio, mas com critérios de prioridade previstos em lei, como mulheres vítimas de violência doméstica, chefes de família, famílias com crianças pequenas e pessoas com deficiência”, explica.

Vila dos Pescadores, onde serão entregues 80 casas flutuantes, em substituição às palafitas - Arquivo CN / Pedro Rezende

 

 



O projeto também prevê um novo píer, centro de educação ambiental, oficina e garagem de barcos, além de um centro de beneficiamento e mercado de peixes, para atrair compradores que circulam em direção a São Paulo. “Pensamos, inclusive, em um restaurante flutuante, transformando o fluxo econômico da comunidade”, destaca Castro.

Os protótipos, em exposição no parque Linear, segundo Andrea Castro, também funcionarão como ferramenta pedagógica para escolas, universidades e órgãos de planejamento urbano.

Programa habitacional de Cubatão

Atualmente, são quatro projetos em andamento no município, em áreas de mangue e encosta. Cada um, com sua particularidade, compartilha o mesmo propósito: promover o desenvolvimento integrado, no qual a urbanização se torna porta de entrada para políticas públicas que assegurem saúde, educação, mobilidade, cultura, lazer e geração de renda.



A proposta é romper o isolamento dos bairros separados por rodovias e ferrovias e evitar que se transformem em comunidades desintegradas do restante da cidade. Por isso, os projetos incluem equipamentos públicos e turísticos capazes de gerar emprego e renda e integrar esses territórios ao restante da cidade.

Outro diferencial está no desenho urbanístico: prédios com tipologias variadas para quebrar a homogeneidade dos conjuntos; lotes urbanizados; casas-embrião que podem ser ampliadas conforme a necessidade das famílias; e superquadras arborizadas, que funcionam como respiro ambiental em áreas de forte adensamento. Esse cuidado com o verde e a arborização é essencial para transformar o ambiente urbano.

Para isso, a prefeitura firmou parcerias com Senac, Sebrae, Banco do Povo e outras instituições. As ações dão atenção especial às mulheres, já que o déficit habitacional brasileiro é majoritariamente feminino e preto.



“É um resgate histórico. Muitas vezes, o empreendedorismo é uma alternativa viável, como no projeto Ateliê da Maré, que permite que mulheres costurem em horários flexíveis, conciliando com a vida familiar”, acrescenta a secretária.

Grande aposta

Dois grandes projetos em área de mangue, Vila Esperança e Vila dos Pescadores, simbolizam o esforço de Cubatão no enfrentamento a um desafio social histórico: a urbanização de áreas periféricas. O objetivo, segundo o prefeito César da Silva Nascimento, é zerar o déficit habitacional do município em 10 anos.

A Vila Esperança tem cerca de 20 mil habitantes, e a Vila dos Pescadores, 10 mil. Outro destaque destes projetos, além da esfera habitacional, é a recuperação de 3 milhões de metros quadrados de área de manguezais, cuja proteção será mantida por meio de Área de Preservação Permanente



Cubatão já é vista como referência em política habitacional, e um grande indicador, segundo a secretária de Habitação, é o interesse de universidades como Unicamp, Univesp e Universidade Federal do ABC, dentre outras, que enviam universitários para conhecer os projetos.

A secretária ainda revela como o município tem obtido recursos e  parcerias em projetos e, também, na área de regularização fundiária, com os governos do estado e federal.

“Hoje, o investimento chega porque há credibilidade. Apresentamos projetos e estamos conseguindo executar dentro dos parâmetros mais atuais da política habitacional, e integrando habitação com meio ambiente, saúde, cultura, esporte e indústria. O território precisa mudar, e isso só acontece com políticas públicas consistentes e articuladas”.



Mobilidade urbana

A Vila dos Pescadores, atualmente separada do restante da cidade  pela linha férrea, terá um viaduto de acesso. O elevado terá 375 metros de extensão e garantirá mobilidade urbana, permitindo a entrada e saída segura da comunidade.

Na Vila Esperança, avançam as obras da Via de Borda (perimetral), com 4,6km de extensão e 40 metros de faixa de domínio. A via robusta, quase uma rodovia, garantirá acesso a serviços públicos essenciais, e também funcionará como barreira física para conter invasões e marcar a recuperação urbanística.

Arquitetura social

O conjunto habitacional da Vila Esperança contará com uma torre de 116 apartamentos e outros nove edifícios, com 894 unidades. No total, serão 1.010 moradias.



Conjunto habitacional da Vila Esperança terá mais de mil moradias - Secom Cubatão

 

O projeto é assinado pelo arquiteto Marcos Boldarini, premiado internacionalmente por desenvolver soluções inovadoras em cenários complexos, como favelas e comunidades. Entre os diferenciais, estão equipamentos de lazer, como um rooftop (terraço de lazer), e as chamadas “janelas em fita”, que percorrem toda a fachada dos edifícios, conferindo um conceito moderno à arquitetura social.

Preservação de encostas

Cubatão será o primeiro município a encerrar a ocupação em áreas de encosta. Atualmente, são três programas em andamento, Cubatão K (Àgua Fria), W/Z (Mantiqueira) e Pilões, estes dois últimos com retirada das famílias.



O conjunto habitacional W/Z foi entregue no final de setembro para a comunidade Mantiqueira - Thiago Cunha

 

Segundo a secretária, nesses casos, a remoção é inevitável, seja pelo risco geológico, como em Mantiqueira, seja por questões ambientais e de segurança, como em Pilões, que enfrenta riscos hidrológicos, de desabamento e tecnológicos pela proximidade de armazenamento de produtos.



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