Vencedor de premiações, Marcus Cabaleiro, com trabalhos publicados em livros e jornais, superou o daltonismo e se tornou destaque na região

Aos 55 anos, o fotógrafo Marcus Cabaleiro, conhecido como "Cabal", é um exemplo de superação e talento, na Baixada Santista. Natural de Santos, ele construiu uma carreira premiada, apesar de uma condição que, para muitos, poderia ser considerada um obstáculo: o daltonismo.
O distúrbio da visão, que dificulta a distinção de cores, foi descoberto aos 14 anos. No entanto, isso não o impediu de transformar um antigo hobby na sua profissão, quando ainda trabalhava na antiga Cosipa.
Nessa época, ganhei uma câmera e fiquei fascinado pela arte, porém não tinha tempo para me aprofundar devido ao trabalho e estudo noturno", contou.
Cabaleiro trilhou outros caminhos antes de se dedicar totalmente à fotografia. Ele cursou engenharia civil e arquitetura, mas não concluiu. A paixão pela arte falou mais alto. Aos 39 anos, ele viu um anúncio de vestibular para fotografia na Unip. "Estava conversando com um amigo (Christian Furlaneto) e afirmei, vou prestar", recorda.
Foi na faculdade que o daltonismo se tornou um desafio prático. Cabaleiro conta que o professor Marcos Piffer identificou uma foto sua, que guardava um detalhe curioso.
Na faculdade, fiz uma imagem, era um trabalho que toda semana fazíamos, exercícios em tirar fotos, imprimia e colavamos na parede aleatoriamente. O professor Piffer entrou na sala, olhou e disse 'Cabal essa foto é sua né?' Eu disse que sim. Ele elogiou e perguntou se eu era daltônico. Confirmei, ele me orientou a fazer fotos sem edição de cores, pois a imagem impressa era de um pôr do Sol muito bonito, mas com tonalidade verde", diz Cabal.
Apesar de a orientação do mestre ter sido focar em fotos sem edição de cores, isso o incentivou também para criações artísticas.
A dificuldade visual não limitou seu sucesso. Marcus Cabaleiro acumula prêmios, como Medalha de Ouro e Bronze no Festival Internacional de Fotografia Brasília Photo Show (2016 e 2020) e finalista em todas as edições do concurso Revela Bertioga (2012 a 2016).
Seu currículo inclui participação em cerca de 50 exposições. Elas ocorreram em locais como o Sesc Santos, Câmara de Cubatão, Fnac Brasil, em São Paulo, e no Palácio das Artes, em Praia Grande. Ele também atuou como fotógrafo da prefeitura de Cubatão.
Cabaleiro tem imagens publicadas em diversos livros, como Rota do Sol II, da jornalista e deputada Rosana Valle, e Ação do Coração, de Alexandre Camilo. Fotos suas foram publicadas em jornais como A Tribuna e Folha de S. Paulo.
Entre suas fotografias mais marcantes, ele destaca a Revoada de Guarás Vermelhos em Cubatão. A imagem lhe rendeu a medalha de ouro no Brasília Photo Show. Outros registros icônicos incluem uma foto do jogador Neymar com um carro do Salão Internacional em Santos e uma foto em P&B da Descida das Escadas de Santos.