Primeiro boletim do Banco Central depois das eleições também eleva aposta para a Selic e corta pela terceira semana a previsão de crescimento
Redação
Publicado em 03/11/2026, às 15h44
O mercado financeiro passou a prever dólar mais caro, inflação maior e juros mais altos no fim de 2026. As projeções estão no Boletim Focus desta semana, o primeiro divulgado pelo Banco Central depois do resultado das eleições presidenciais.
Ao mesmo tempo, os analistas reduziram pela terceira semana seguida a estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano.
Veja como ficaram as projeções para o fim de 2026:
O Focus é um relatório semanal do Banco Central que reúne as projeções do mercado financeiro para indicadores como inflação, câmbio e taxa básica de juros.
A estimativa para a Selic no fim do ano voltou a 13,5%, o mesmo patamar de quatro semanas atrás. Como a taxa está hoje em 13,75%, o mercado ainda espera um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro.
Para 2027 e 2028, as projeções são de 12,5% e 11%, respectivamente. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
Juros mais altos encarecem o crédito e ajudam a conter a demanda e os preços, mas podem frear a atividade econômica. Juros menores estimulam o consumo e os investimentos, mas podem pressionar a inflação.
A projeção para o IPCA, índice oficial de inflação do país, subiu para 5,22% em 2026. Há quatro semanas, a estimativa era de 5,01%. Para 2027, o mercado projeta inflação de 4,76% e, para 2028, de 4%.
A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, ficou em 0,32% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o índice acumula alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação.
A desaceleração em relação a setembro, quando o índice foi de 0,70%, veio principalmente da queda na conta de luz residencial, com a adoção da bandeira tarifária verde em outubro.
Do lado oposto, os alimentos foram a maior pressão de alta. Os destaques foram tomate (24,54%); cebola (13,63%); batata-inglesa (10,96%); e arroz (5,80%).
A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no país, caiu de 1,8% para 1,76% em 2026. Para 2027, a expectativa é de crescimento de 1,2% e, para 2028, de 1,8%.
No câmbio, a projeção para o dólar no fim do ano saltou de R$5,05 para R$5,34 em uma semana. Para o fim de 2027 e de 2028, o mercado estima a moeda norte-americana a R$5,40.