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Desenrola 3.0 pode dar até 90% de desconto em dívidas de até R$10 mil

Governo prevê comprar até R$150 bilhões em débitos de famílias e repassar os descontos aos consumidores a partir de fevereiro de 2027

Rhauanny Queiroz
Publicado em 26/09/2026, às 12h29

Nova etapa prevê aquisição de carteiras de crédito pelos bancos e repasse dos descontos aos consumidores - Paulo Pinto/Agência Brasil


Uma nova rodada do Desenrola Brasil poderá ajudar brasileiros com dívidas antigas a reduzir o valor dos débitos. O governo federal anunciou, na sexta-feira (25), o Desenrola 3.0, programa que prevê a compra, com desconto, de carteiras de dívidas de pessoas físicas que estão nos balanços dos bancos.

A estimativa do governo é movimentar até R$150 bilhões em dívidas, com possibilidade de descontos de até 90% na aquisição das carteiras. A operação poderá exigir até R$15 bilhões em recursos públicos e, segundo o governo, poderá beneficiar até 15 milhões de pessoas.

O programa será voltado para dívidas de até R$10 mil, dentro de modalidades específicas de crédito e com determinado período de atraso.



Como vai funcionar o Desenrola 3.0?

Diferentemente de edições anteriores, a nova etapa prevê que o governo federal compre as carteiras de dívidas das instituições financeiras, em vez de cada consumidor negociar individualmente com o próprio banco.

O governo pretende realizar um leilão em novembro de 2026. Os bancos interessados deverão apresentar suas propostas e, conforme as informações divulgadas, vencerá a instituição que oferecer o maior desconto para a venda da carteira de crédito.

O desconto obtido na compra deverá ser repassado aos consumidores. Depois disso, o devedor poderá pagar o valor restante à vista ou parcelá-lo, com juros.

A estimativa é que existam cerca de R$300 bilhões em dívidas potencialmente enquadráveis nas regras. O governo pretende alcançar aproximadamente metade desse valor, chegando aos R$150 bilhões previstos para a primeira operação.

Quais dívidas poderão entrar?

O programa contempla dívidas de cartão de crédito, tanto na modalidade rotativa quanto parcelada, e empréstimos pessoais sem consignação em folha. O crédito consignado não está incluído na medida apresentada.

As dívidas deverão ter entre dois e quatro anos e meio de atraso, considerando como referência a data de 25 de setembro de 2026. O Ministério da Fazenda ainda poderá estabelecer critérios adicionais relacionados à renda e à prioridade entre os devedores.

A operação poderá contar com a participação da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, além de fundos de investimento em direitos creditórios que tenham a União como cotista.

Quando começa a renegociação?

A medida provisória que cria o programa será publicada na sexta-feira (25). A partir daí, o governo prevê o seguinte calendário:

Os leilões poderão separar os débitos por tipo, incluindo dívidas bancárias e não bancárias, conforme as regras que ainda serão estabelecidas pelo Ministério da Fazenda.

Por que o governo criou uma nova rodada?

O objetivo anunciado é reduzir o comprometimento da renda das famílias e conter o superendividamento. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a diferença em relação às etapas anteriores está justamente no modelo de aquisição das carteiras.

Em vez de cada consumidor procurar individualmente uma instituição financeira para tentar renegociar, a União pretende comprar os débitos com desconto e repassar essa redução às famílias.

“Em vez da gente criar um processo no qual cada pessoa, cada membro da família vai até o banco tentar renegociar sua própria dívida, aqui nós temos o Estado brasileiro, o governo federal fazendo aquisição de carteiras de dívidas das instituições financeiras”, afirmou Moretti.

A medida também prevê que o Banco Central adote ações regulatórias para evitar excessos e abusos na concessão de crédito às famílias, segundo as informações apresentadas pelo governo.

O que ocorre com o desconto?

O desconto será obtido pelo governo na compra das carteiras de crédito. A previsão é que essa redução seja repassada aos consumidores. Por exemplo, uma dívida de R$10 mil, que faça parte de uma carteira adquirida com desconto, não significa que o consumidor receberá automaticamente 90% de abatimento. O percentual final dependerá das condições da operação e da carteira negociada.

O governo estima, porém, que os descontos possam chegar a 90%. Depois da aquisição, os consumidores poderão quitar o saldo restante à vista ou optar pelo parcelamento, de acordo com as condições estabelecidas para a operação.

O que já ocorreu nas versões anteriores?

O Desenrola Brasil já teve outras etapas voltadas à renegociação de dívidas. Na edição anterior mencionada pelo governo, foram incluídas dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal com atraso de 90 dias a dois anos.

Nesse modelo, a renegociação era feita diretamente entre o consumidor e a instituição financeira. Agora, a terceira rodada muda a estrutura da operação ao prever a compra das carteiras de crédito pelo governo, com posterior repasse dos descontos aos devedores.

A nova fase ainda depende da execução das etapas previstas no calendário, incluindo o chamamento das instituições financeiras, a apresentação das propostas e a seleção das carteiras que serão adquiridas.

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