Banco Central avalia conexão entre o PIX e o Tips para permitir pagamentos internacionais em segundos; estudo ainda não tem implementação definida

O Pix pode dar um passo importante para funcionar diretamente entre Brasil e Europa. O Banco Central (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram, nesta quinta-feira (24), uma avaliação para verificar a viabilidade de conectar o sistema brasileiro ao Target Instant Payment Settlement (Tips), infraestrutura de pagamentos instantâneos do Eurosistema.
A iniciativa pode permitir, no futuro, compras e transferências internacionais com dinheiro disponível na moeda local em poucos segundos.
A novidade, porém, ainda está em fase de estudo. BC e BCE vão analisar questões técnicas, operacionais, jurídicas e de negócio antes de decidir se a integração poderá avançar. Portanto, ainda não significa que brasileiros já possam viajar à Europa e usar o Pix diretamente em qualquer estabelecimento conectado ao sistema europeu.
A proposta envolve conectar o Pix ao Tips, sistema criado para permitir liquidação instantânea em moeda de banco central na Europa. Atualmente, a infraestrutura opera com euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa, além de ter expansão prevista para outras moedas do Espaço Econômico Europeu.
Na prática, uma futura integração poderá permitir remessas internacionais e compras entre Brasil e Europa, com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos. O Banco Central afirma que a conexão tem potencial para reduzir custos, aumentar a velocidade e melhorar a transparência dos pagamentos entre as duas regiões.
Considerando os significativos fluxos econômicos e financeiros entre o Brasil e a área do euro, a interligação entre Pix e Tips poderá contribuir para pagamentos transfronteiriços mais rápidos, eficientes e de menor custo entre as duas jurisdições”, informou o BC.
Ainda não há, entretanto, uma data oficial para o serviço chegar ao público. Reportagem da Folha aponta expectativa técnica de um projeto-piloto em junho de 2028, caso as etapas avancem, mas esse prazo não consta como lançamento confirmado pelo Banco Central.
Embora o Pix ainda não tenha uma integração oficial com sistemas estrangeiros equivalente à que está em estudo com a Europa, brasileiros já conseguem pagar com Pix em estabelecimentos de alguns países.
Isso ocorre por meio de empresas privadas que atuam como intermediárias: o cliente paga em reais pelo aplicativo do banco brasileiro e a empresa processa a operação de câmbio para que o comerciante receba na moeda local em segundos. Por isso, tecnicamente, não significa que o sistema Pix do Banco Central opere diretamente no país estrangeiro.
Hoje, há estabelecimentos que permitem pagamentos iniciados via Pix em oito países: Argentina; Chile; Uruguai; Paraguai; Estados Unidos; Portugal; Espanha e França. A aceitação não ocorre em todo o território nem em qualquer comércio desses países; depende de lojas e prestadores integrados a empresas privadas de pagamentos e câmbio.
A novidade em avaliação com o Banco Central Europeu é diferente justamente por prever uma possível conexão entre as infraestruturas oficiais de pagamentos instantâneos, o que poderá permitir transações entre Brasil e Europa de forma integrada, caso o projeto avance.
O Pix também entrou no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na terça-feira (22). Ao tratar de soberania e do sistema brasileiro de pagamentos, Lula afirmou:
Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros e brasileiras”.
A declaração representa a posição apresentada pelo presidente na ONU. A possível conexão com o Tips, anunciada dois dias depois pelo Banco Central, envolve o estudo de interoperabilidade entre duas infraestruturas públicas de pagamentos.