Mostra na Biblioteca Municipal segue até sexta-feira (17) e apresenta acervo pessoal, textos e filmes sobre o histórico autor da Baixada Santista

Cubatão, na Baixada Santista, abriga a exposição Com A Palavra: Schmidt, até sexta-feira (17). Com entrada gratuita, a mostra convida o público a explorar a trajetória literária do jornalista, poeta e romancista cubatense, Afonso Schmidt.
O evento ocorre na Biblioteca Municipal, na avenida Nove de Abril, 1.977, no centro, com atendimento ao público disponível das 9h às 12h e das 13h às 17h. Organizada pelo Instituto Afonso Schmidt, com apoio da Secretaria de Cultura de Cubatão (Secult), a iniciativa exibe projeções, textos, imagens e itens do acervo pessoal do autor.
Segundo a administração municipal, a ação integra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU para a Agenda 2030, com foco em parcerias, arte e comunicação.
Entre os destaques, o visitante encontra um espaço dedicado a A Marcha, obra sobre a fuga de escravizados para o Quilombo do Jabaquara, em Santos, no final do século 19. O livro inspirou um filme na década de 1970, com atuação de Pelé, Nicette Bruno e Paulo Goulart. O público assiste a um trecho do longa-metragem em uma sala adaptada.
A exposição também reserva áreas para os clássicos Menino Felipe e Zanzalá – este último lançado em 1938 e considerado pioneiro na ficção científica brasileira.
Realmente, celebrar a obra de Afonso Schmidt é, ao mesmo tempo, reconhecer a força de uma produção que atravessa gerações e reafirma a importância da arte como memória viva, presença e permanência”, enfatiza Nalva Leal, presidente do Instituto Afonso Schmidt
O secretário municipal de Cultura, Omar Bermedo, possui uma visão parecida: “Relembrar a obra desse renomado escritor significa reviver vários momentos da história cubatense, contada de forma poética e ilustrada de maneira que só Afonso Schmidt imprimiu ao longo de sua vida”.

Nascido em 29 de junho de 1890, ao pé da Serra do Mar, Schmidt iniciou a carreira jornalística aos 16 anos. Na capital paulista, atuou como repórter em importantes periódicos e jornais, ao lado de figuras históricas do movimento anarquista.
Em 1945, o autor lançou o famoso poema em homenagem à cidade natal, no qual eternizou os versos:
Minha terra não passa de uma estrada, um bambual que rumoreja ao vento; sol de fogo em areia prateada, deslumbramento e mais deslumbramento”.
Ao longo da vida, publicou 40 livros. Em 1963, o escritor recebeu o troféu Juca Pato, de intelectual do ano. Ele morreu em 3 de abril de 1964, mas seu nome segue presente na memória e na arte da região.