FOLGA NO MEIO DA SEMANA

Por que o dia 9 de julho é feriado em São Paulo? Saiba o que está por trás da data

Data que lembra a Revolução Constitucionalista de 1932, um levante armado contra o governo federal de Getúlio Vargas, é feriado estadual desde 1997


Esther Zancan
Publicado em 07/07/2025, às 14h22

FacebookTwitterWhatsApp

Símbolos da Revolução Constitucionalista de 1932
A revolta paulista movimentou aproximadamente 100 mil combatentes - Reproduções


Tem feriado nesta semana? Tem sim, senhor. Mas, apenas para os paulistas. Nesta quarta-feira, dia 9 de julho, o feriado com abrangência em todo o estado de São Paulo lembra a Revolução Constitucionalista de 1932, um levante armado dos paulistas contra o governo provisório de Getúlio Vargas, instituído dois anos antes, por meio de um golpe de Estado. A revolta eclodiu no dia 9 de julho de 1932 e reivindicava uma nova Constituição (daí o nome Constitucionalista) e novas eleições presidenciais. 

O feriado foi instituído em 1997 pelo então governador Mário Covas. Por se tratar de um feriado de fato, e não apenas um ponto facultativo, o setor privado e também parte do setor público paralisam as atividades obrigatoriamente. Apenas os serviços essenciais permanecem em funcionamento. Os demais até podem funcionar, mas, normalmente, o funcionário tem direito a uma remuneração em dobro pelo dia trabalhado, conforme o acordo coletivo de cada categoria.

Revolução de 32 

A revolução de 32 começou quando setores da elite e da sociedade paulista se insurgiram contra as ações centralizadoras de Vargas, que assumiu o poder em 1930, anulou a Constituição de 1891, dissolveu o Congresso Nacional e nomeou interventores para governar os estados.



A tensão intensificou-se em maio de 1932, quando quatro estudantes — Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo — foram mortos durante manifestações contrárias ao governo Vargas. Os jovens tornaram-se ícones da Revolução Constitucionalista, e suas iniciais deram origem à sigla MMDC, que permanece como um símbolo de resistência e homenagem aos mártires do movimento paulista.

Símbolo do MMDC
MMDC homenageia os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo - Alesp

A revolta paulista, que movimentou  aproximadamente 100 mil combatentes, estendeu-se por quase três meses, mas terminou com a derrota do estado de São Paulo frente às forças federais. Apesar do desfecho militar desfavorável, historiadores ressaltam que diversas demandas foram posteriormente atendidas: em 1933, realizou-se  eleição de uma Assembleia Constituinte, o Congresso Nacional foi reaberto e uma nova Constituição foi promulgada, marcando avanços na reorganização democrática do país.



Em 1º de outubro de 1932, os paulistas se renderam, pois não contavam mais com soldados e nem provisões suficientes para seguir na batalha contra o governo de Vargas. Registros oficiais atestam  934 mortos no combate, mas existem versões de que houve um número muito maior de vítimas fatais.

Homenagens

Além de feriado, o 9 de julho dá nome a diversos logradouros por todo o estado, pois é um marco da identidade paulista. Em Santos, por exemplo, a rua 9 de Julho fica no bairro Marapé. De acordo com a Fundação Arquivo e Memória de Santos, a via recebeu esse nome em 1948, para lembrar o conflito histórico, que contou com a participação de 3 mil combatentes santistas, além dos cidadãos que se mobilizaram de forma voluntária para ajudar na causa.

Placa da rua 9 de julho em Santos
Rua 9 de julho fica no Marapé, em Santos - Reprodução/Instagram Fundação Arquivo e Memória de Santos



Para que os santistas mortos na Revolução de 32 não fossem esquecidos, muitas ruas da cidade receberam seus nomes: Alfredo Albertini; Alfredo Schammas; Alfredo Ximenes; Bento de Barros; Carolino Rodrigues; Dagoberto de Gasgon; Eloy Fernandes; Emílio Ribas; Firmino Barbosa; Godofredo Fraga; Ivampa Lisboa; Januário dos Santos; João Pinho; Pérsio de Queiroz Filho e Thiago Ferreira são alguns deles.

Para mais conteúdos:

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!