FENÔMENO

Pintando Pássaros pelo Brasil: artista conquista internet desenhando aves pelo litoral de SP

Com mais de 280 mil seguidores no Instagram, artista plástico viaja por cidades do estado de São Paulo, para pintar aves que representem histórias locais


Estéfani Braz
Publicado em 02/08/2024, às 20h12 - Atualizado às 20h57

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Gabriel Lucius faz da arte uma viagem pelo Brasil - Arquivo pessoal/ Gabriel Lucius
Gabriel Lucius faz da arte uma viagem pelo Brasil - Arquivo pessoal/ Gabriel Lucius


Uma mala com poucas roupas e, outra, com latas de tintas. É assim que o artista plástico Gabriel Lucius tem viajado, no modo mochilão, para  contar histórias de aves por meio de desenhos. O projeto começou no início deste ano e foi intitulado de Pintando Pássaros pelos Brasil. Além disso, ele compartilha as informações por intermédio de vídeos no Instagram, no qual já  soma mais de 280 mil seguidores. 

Natural de Salesópolis, cidade localizada a 103 quilômetros da capital paulista, e a 77 quilômetros de Caraguatatuba, no litoral norte, o artista é o responsável por desenhar a ave eleita como símbolo da cidade do litoral norte, uma saíra-sete-cores, no Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), em Caraguatatuba. O processo do trabalho foi compartilhado por Gabriel em sua rede social.

O local foi o segundo núcleo do PESM que ele atendeu. A intenção do artista é expandir o projeto para todo o país. Outra arte havia sido finalizada em Ilhabela. Um novo trabalho está em andamento em Salesópolis. As pinturas e as narrativas de cada local são compartilhadas em sua página do profissional. “Eu ainda não saí do estado de São Paulo, mas eu já tenho trabalhos marcados para subir o litoral brasileiro”. 



Gabriel Lucius
Gabriel com a avó em frente ao seu maior trabalho, com 40 metros quadrados. - Arquivo pessoal/ Gabriel Lucius

Segundo o artista, o projeto tem características de educação ambiental e artística, e foca em dar visibilidade às histórias de pássaros que tiveram impactos nas cidades, ou em pessoas, além de conscientizar sobre a importância da biodiversidade local.  

Grande parte de seus seguidores é de admiradores da natureza e das artes, por isso, Lucius afirma que não quer dar aula, mas introduzir as histórias de forma leve. “O papel é criar uma conexão emocional entre uma história que aconteceu, ali na natureza, que mudou a vida de uma pessoa, que mudou a vida de uma comunidade, e mostrar isso para um público geral que já gosta de natureza, estar conhecendo e podendo se aprofundar para além daquilo”. 

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O artista plástico reforçou também que o projeto busca mostrar a luta das unidades de conservação e organizações não-governamentais pela preservação da natureza e sua diversidade biológica. 

Saíra-sete-cores

O processo de execução do trabalho é individualizado, para que haja uma conexão com a cidade. No caso específico de Caraguatatuba, no litoral norte, o artista contou que tem uma forte ligação com o local. Aos 18 anos, Lucius se mudou para a cidade para cursar a faculdade no Instituto Federal,  e lá se estabeleceu por dois anos. Apesar de não ter concluído a formação, ele passou seis meses como voluntário no Parque Estadual da Serra do Mar (PESM). 

saíra-sete-cores
Arte feita por Gabriel Lucius no PESM, núcleo Caraguatatuba, uma saíra-sete-cores - Arquivo pessoal/ Gabriel Lucius



O trabalho gerou um forte elo com o parque e fez com que, alguns anos depois, Lucius retornasse para iniciar um novo projeto.  “A convite do gestor do parque, Miguel Nema, a gente elabora um projeto junto com a Fundação Florestal, e eu consigo, a partir daí entrar nos parques da Fundação Florestal e executar esse projeto de educação ambiental em parceria com a Fundação”. 

Durante o planejamento para execução do trabalho, Gabriel Lucius e Miguel Nema definiram que a arte seria a ave eleita como símbolo de Caraguatatuba. O artista explicou que a história do pássaro começou quando Nema, durante a pandemia, fotografou um bando de saíras-sete-cores . A imagem participou de um concurso de ave símbolo e conquistou o prêmio. 

De acordo com Lucius, a história da foto é baseada em uma saíra macho, líder de um bando, que descia no comedouro, no qual Miguel colocava frutas para observar as aves. O pássaro descia em um galhinho e ficava observando para ver se não tinha nenhum perigo, nenhum predador, e abria as peninhas das costas e sinalizava para o resto do bando que o local era seguro. O líder do bando era o último a se alimentar e sair do local. 



O artista reforçou que a história demonstra o cuidado,  “da pessoa que é a primeira a chegar, fica observando tudo que está acontecendo, cuidando do próximo, e é a última a sair. Então, esta é a ideia do cuidado, onde a natureza nos ensina que tem que ter esse zelo. A gente é mais forte, a gente não é dono, a gente é guardião”. 

A homenagem feita pelo artista plástico ao Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Mar, núcleo Caraguatatuba, une a planta símbolo da cidade, a Caraguatá, e a saíra-sete-cores. Segundo o artista,  o projeto Pintando Pássaros pelo Brasil deve retornar a Caraguatatuba ainda na primeira quinzena de agosto, para participar do Festival do Cambuci, que se realizará no último domingo (25) do mês, no Parque Estadual da Serra do Mar. 

Fundação Florestal

O portal Costa Norte entrou em contato com a Fundação Florestal, mas não recebeu retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço continua aberto e a matéria será atualizada, em caso de resposta. 



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