Evento gratuito mostra como a iluminação artificial pode desorientar aves durante a migração, e destaca a importância da conservação

A migração de aves que cruzam continentes durante a noite será o tema da vivência 'Noites escuras, migrações seguras', promovida pela Reserva Natural Sesc Bertioga, nesta quarta-feira (22).
A atividade gratuita convida o público a descobrir como essas espécies percorrem milhares de quilômetros guiadas pelas estrelas, e por que a poluição luminosa representa um dos principais desafios para essas viagens.
A programação ocorre às 19h, no Espaço Teiú, e integra a campanha internacional do Dia Mundial das Aves Migratórias, criada pela organização Environment for the Americas. A iniciativa busca conscientizar sobre os impactos da iluminação artificial para as aves migratórias, para a observação do céu e também para a saúde humana.
Segundo Bruno Lima, organizador e palestrante do evento, o objetivo é aproximar pessoas de todas as idades de um fenômeno que ocorre todos os anos, mas ainda é pouco conhecido pela população.
A grande maioria não sabe que temos verdadeiras estradas aéreas sobre nossas cabeças. Elas não partem sem rumo. Utilizam rotas ancestrais e se guiam pelas estrelas, pela geografia e por outras referências naturais."
A vivência foi planejada para receber participantes sem necessidade de conhecimentos prévios sobre aves ou astronomia. Durante o encontro, o público conhecerá como funcionam as migrações, aprenderá sobre telescópios e poderá observar o céu noturno. A escolha das datas, durante o período de férias escolares, busca ampliar a participação das famílias.
O litoral paulista ocupa uma posição estratégica para diversas espécies que percorrem grandes distâncias entre áreas de reprodução e alimentação. Todos os anos, aves vindas do Polo Norte, do Canadá, dos Estados Unidos, do México e também do sul da América do Sul utilizam a costa brasileira como ponto de descanso e alimentação.
Entre as espécies que podem ser observadas na região de Bertioga estão o maçarico-branco; maçarico-de-papo-vermelho; batuíra-de-bando; batuiruçu-de-axila-preta e a andorinha-de-bando. Também passam pelo litoral aves vindas do sul do continente, como o príncipe e a batuíra-de-peito-de-tijolo.
Para Bruno Lima, uma das curiosidades mais impressionantes é justamente a resistência dessas pequenas aves.
Uma das coisas mais impressionantes é entender como uma avezinha consegue partir do longínquo Polo Norte, enfrentando ciclones, calor intenso, tempestades e cruzando mares até chegar em Bertioga."
Grande parte das aves migratórias faz seus deslocamentos durante a noite para evitar as altas temperaturas e reduzir a exposição a predadores. Nesse período, elas utilizam principalmente as estrelas como referência para manter a direção do voo.
O excesso de iluminação artificial, porém, interfere nesse comportamento natural. Luzes de cidades, edifícios e outras estruturas podem desorientar as aves, fazendo com que alterem suas rotas, desperdicem energia durante a viagem ou colidam contra vidraças e construções.
Com a poluição luminosa, elas acabam se confundindo, se perdendo e chocando em vidraças", explica Bruno Lima.
Estudos também apontam que a iluminação artificial influencia os locais onde muitas espécies interrompem a migração para descansar, aumentando os riscos durante essas longas viagens.
Além de favorecer a observação das estrelas, reduzir a iluminação desnecessária durante a noite é uma medida importante para proteger as aves migratórias e outros animais que dependem da escuridão para cumprir seus ciclos naturais.
A proposta da vivência é justamente mostrar que pequenas mudanças podem contribuir para a conservação da biodiversidade e despertar um novo olhar sobre o céu noturno e sobre as espécies que cruzam os céus do litoral paulista todos os anos.
A atividade 'Noites escuras, migrações seguras' ocorre nesta quarta-feira (22) e também no dia 29 de julho, sempre às 19h, na Reserva Natural Sesc Bertioga, no Espaço Teiú. A participação é gratuita, destinada ao público a partir de 6 anos. As vagas são limitadas, e os ingressos devem ser retirados no local 30 minutos antes do início da programação.