Fibra de pneu é um material altamente poluente e se transformou em insumo para fabricação de bolsas e acessórios nas mãos da artesã

A preocupação com a sustentabilidade tem sido cada vez maior, e transformar objetos inservíveis em matéria-prima é uma das formas de colaborar com o meio ambiente e, ainda, gerar renda. A artesã de Caraguatatuba, no litoral norte, Sirley Ordonis, descobriu nas fibras de pneus a transformação de um material altamente poluente em um excelente insumo para fabricação de bolsas e acessórios.
A fibra é uma espécie de plástico, composta de nylon e derivada do petróleo, utilizada para composição de pneu. Cada fio da fibra suporta até 15 quilos. A artesã conheceu o material com pescadores que confeccionavam redes de pesca com fibras.

O material descartado pela fabricante de pneus pode levar muitos anos para se decompor na natureza e, como não pode ser reciclado pela empresa, a artesã conseguiu reutilizá-las, entrelaçando-as para produzir bolsas e outros objetos.
Ela conta que, no começo, teve dificuldades em conseguir a matéria-prima. “Quando eu conheci, eu não sabia do que se tratava e, mesmo assim, eu comecei a trabalhar com ela. Mas, era um material difícil. Não sabia o que fazia, nem nada. Pensei em cortina, mas não dá. Hoje, eu sei que, quando você manuseia muito, rasga a fibra que faz a trama”.

Além de confeccionar as bolsas e acessórios, a artesã também começou a participar de eventos e criou uma rede de contatos até chegar a fabricantes de pneus que poderiam fornecer a matéria-prima. Foram cerca de quatro anos na tentativa de encontrar contatos dentro da empresa, até conseguir chegar às pessoas que a ajudaram com o material. Hoje, a parceria já está estabelecida e Sirley precisa apenas retirar as fibras na fabricante, em São Paulo.
As bolsas foram as primeiras criações da artesã. Como ela tinha o propósito de ajudar na preservação do meio ambiente, cuidando do descarte correto do que sobrava da confecção, Sirley resolveu reutilizar também os pedaços que sobravam.

A artesã trabalha sozinha e deixa que a própria fibra vá tomando forma.“Não tem uma receita. Não tem um modelo. Tem um padrão, mas elas são diferentes umas das outras. Mesmo porque, a própria fibra, ela não faz o que eu quero. Ela vira para onde ela quer. Às vezes, eu estou fazendo uma trança, ou torcendo, ela vira para o outro lado. Aí já vira um outro trabalho, já vira uma flor. Já vira alguma coisa assim”.
O objetivo é conseguir implantar um projeto que ajude a levar a técnica adiante, para que outras pessoas possam sobreviver da economia circular. Sirley tem apresentado proposta para empresas, mas até agora não conseguiu a adesão.
Desde 2005, foram reaproveitadas quase 4 toneladas do material. Com essa quantidade, foram produzidas mais de cinco mil bolsas e nove mil acessórios. O produtos foram levados para várias partes do Brasil e do mundo. As peças estão disponíveis no instagram oficial do ateliê da Sirley Ordonis.