Associação Quilombo de Aidê entrega mais de 200 peças de frio na aldeia Tekoa Mirim; encontro inclui oficinas de dança e artes marciais guaranis

A associação de capoeira Quilombo de Aidê promoveu uma campanha do agasalho destinada à aldeia indígena Tekoa Mirim, localizada na Serra do Mar, em Praia Grande, litoral de São Paulo. Durante a ação, os integrantes do projeto arrecadaram e entregaram mais de 200 peças de roupas de frio e cobertores para a comunidade local.
Além da doação, o encontro proporcionou uma troca cultural inédita entre o grupo esportivo e os indígenas. A aldeia Tekoa Mirim, fundada em 2010, sobrevive do artesanato e da plantação de alimentos como mandioca e batata-doce, e mantém um forte trabalho de educação interna para preservar as tradições guaranis.
A vice-presidente da associação, Flávia Torres Nascimento, explica a origem da iniciativa esportiva e solidária.
O projeto com a capoeira já existe aqui há mais ou menos uns 20 anos. A associação Quilombo de Aidê foi fundada recentemente, só tem quatro aninhos. Temos aulas sociais gratuitas para todas as idades, que passam pela assistente social, para colocar esses alunos dentro do esporte e da cultura", conta.
Para a assistente social do grupo, Natali Cristine Povoação, a ação desperta a empatia entre os mais novos. "Mostrar para os alunos que existem outras culturas que precisam se manter vivas. A gente sempre estimula, por meio das ações, esse espírito de solidariedade e também essa integração", destaca.
Durante a visita, os capoeiristas ensinaram os principais movimentos da modalidade esportiva. Em retribuição, os indígenas apresentaram o Xondaro, uma dança tradicional que funciona como treinamento físico e espiritual para os guerreiros da tribo.
O líder da aldeia, Karaí Edimilson de Souza, reforça a importância da integração. "Ter o contato com outras culturas assim fortalece também, para nós mesmos conhecer mais outra cultura e também para mostrar para a sociedade a nossa cultura, como ela é respeitada", relata.
O educador indígena Marcelo Papa Benite compara as duas modalidades e suas origens históricas. "Essa dança é um símbolo de resistência, é assim que eu vejo. São movimentos muito parecidos, porque essa dança vem da resistência de cinco séculos atrás", explica.
A experiência marcou os participantes do projeto. O aluno de capoeira Dyego Cruz resume o sentimento da visita. "A gente vem aqui distribuir um pouco de amor e também trazer um pouco de acolhimento e contribuir. Poder trazer um pouco de roupas que podem aquecer a galera da tribo", comenta. A pequena Mariana Gomes também celebrou o momento: "Quando eu chego, eu fico muito alegre. Minha alegria dá vontade de explodir".
*Com informações da jornalista Letícia Sanvez, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral e Vale.