FÉRIAS

Alugar casas para Réveillon ou temporada exige cuidados. Veja como não cair em golpes

Empresário teve prejuízo de R$ 4 mil ao pagar por casa no litoral de SP; no local, encontrou os verdadeiros donos no imóvel


Reginaldo Pupo
Publicado em 22/12/2025, às 14h57

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imóveis na praia
Alugar imóveis pela internet sem seguir ritual de cuidados pode resultar em prejuízo - Divulgação


Entra ano, sai ano, e centenas de pessoas continuam caindo em um dos golpes mais conhecidos da atualidade nesta época do ano, quando decidem alugar uma casa para passar o Réveillon ou a temporada de verão na praia.

O que seriam momentos alegres e divertidos com a família ou amigos, acaba se transformando em pesadelo e prejuízos.

Na maioria dos casos, os turistas fecham a locação pela internet, por meio de grupos específicos em redes sociais, como Facebook, ou por meio de sites, como OLX.



Em ambos casos, não há garantias de que, quem está anunciando o produto, de fato seja  pessoa idônea; cadastros fakes nessas redes podem ser feitos facilmente, pois não há exigência de documentos, o que facilita a ação dos criminosos.

O golpe começa quando o interessado na locação realiza o pagamento antecipadamente, sem visitar o imóvel, baseando-se apenas em fotos e vídeos.

Os golpistas disponibilizam chaves Pix, abertas em contas bancárias de terceiros, onde os valores vão sendo diluídos em outras contas de laranjas, para não deixar rastros.



Prejuízo

Um empresário que efetuou o pagamento antecipado de R$ 4 mil, por uma casa na qual pretendia passar o feriado de 15 de novembro passado com a família, em Caraguatatuba, no litoral norte, foi surpreendido ao chegar ao endereço e encontrar os verdadeiros donos do imóvel.

Sob condição de anonimato, o empresário contou que os moradores viviam na casa há mais de 20 anos e que nunca haviam alugado para temporada.

“As fotos da fachada batiam com a frente da casa, mas as imagens internas do imóvel poderiam ser de qualquer outra casa que os golpistas poderiam pegar na internet. Só me dei conta disso depois. Inclusive a frente, que poderia ser foto do Google Street View”, contou ele.



Com o carro abarrotado de bagagens e produtos perecíveis que havia comprado antes da viagem, não restou outra alternativa ao empresário de São José dos Campos a não ser buscar uma pousada para passar o final de semana e não perder a viagem. “Por sorte, o feriado caiu em um sábado, senão, certamente não teríamos conseguido uma vaga”.

Segundo o empresário, após perceber o golpe, tentou entrar em contato com os golpistas, mas já havia sido bloqueado no WhatsApp. Ele insistiu no contato, por meio de números diferentes, mas foi bloqueado todas as vezes.

O anúncio já não constava mais no site. “Não registrei boletim de ocorrência porque isso não vai trazer meu dinheiro de volta e (o documento) só vai virar mais uma estatística”, explicou.



Como evitar os golpes

De acordo com Flávio Bittencourt, fundador e CEO da plataforma Chaves na Mão, especializada em locação de imóveis, para evitar cair em golpes, o primeiro passo é realizar pesquisa minuciosa. “Selecione portais qualificados e, no anúncio, levante o maior número de informações possíveis sobre o anunciante e o imóvel”, ressalta Bittencourt.

Ele sugere que o interessado faça buscas e tente encontrar algum outro contato do proprietário do imóvel nas redes sociais. “Caso encontre nada, é bom tomar cuidado. Pode ser um perfil fake que criou o anúncio. Nessas situações, o melhor é não seguir com a reserva e buscar outro imóvel que traga informações mais consistentes do proprietário”, alerta.

Bittencourt também destacou que os turistas devem desconfiar de valores muito baixos. “O aluguel muito barato em relação às outras opções é um grande sinal de alerta. Vale sempre lembrar daquele velho ditado, não existe almoço grátis”.



Outro fato a ser considerado, segundo ele, é exigir um contrato, para evitar acordos feitos apenas via conversas informais. Com registro oficial, o interessado não fica desamparado e as chances de recuperar o prejuízo financeiro causado por um golpe aumentam consideravelmente.

Evite pagar antecipadamente

Um dos alertas do CEO é evitar pagar antecipadamente. “Quanto maior for o valor depositado antes da chegada, maior será o prejuízo se o negócio se tratar de um golpe. Por isso, a negociação do pagamento é extremamente importante para evitar prejuízos”, explica.

Visitar o imóvel antes de fechar o negócio é outro ponto a considerar, de acordo com o executivo. “Nem sempre é possível, mas caso consiga ir presencialmente, antes, o interessado diminui consideravelmente a chance de cair em um golpe. Caso o imóvel entregue exatamente o que o anúncio promete e o locatário esteja presente e sempre disponível, muito dificilmente você será uma vítima de criminosos”, afirma Bittencourt.



Ele também sugere que a conta bancária disponibilizada para o pagamento seja avaliada, checando se o nome do locatário e o nome do dono da conta bancária é o mesmo. “Questione caso sejam diferentes”, alerta.

Ainda segundo o executivo, quando alguém força urgência, ou pressiona para fechar a locação, alegando que existem outros interessados no imóvel, impedindo que o interessado verifique informações, o risco de golpe aumenta drasticamente, especialmente se o pedido de pagamento for via Pix. “Tal comportamento é um dos sinais mais claros de tentativa de golpe”, explica.

Perfis recém-criados, ou sem histórico em redes sociais ou plataformas, devem ser evitados. “Se o anunciante evita ligação de vídeo, visita virtual ou qualquer forma de verificação, o risco pode ser extremamente alto. Desconfie de pessoas cuja comunicação é difícil. Quem tem um imóvel para alugar geralmente é mais disponível e atencioso”, conclui Bittencourt.



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