Polícia Civil e concessionária flagraram esquema direto na rede elétrica; manobra criminosa causava risco de apagão na vizinhança

Um homem foi preso em flagrante no bairro Paquetá, em Santos, após técnicos descobrirem um desvio de energia elétrica usado para abastecer os freezers do seu estabelecimento. A fraude foi neutralizada durante uma operação conjunta da Polícia Civil com a concessionária.
Apenas nos primeiros cinco meses de 2026, a Baixada Santista registrou mais de 800 casos de furtos do tipo. O crime de desvio de energia é previsto no Código Penal e pode render até quatro anos de cadeia, além de gerar graves riscos de incêndio para toda a vizinhança.
Uma operação conjunta entre a Polícia Civil e a CPFL Piratininga resultou na prisão em flagrante de um homem por furto de energia, no bairro Paquetá, em Santos, litoral de São Paulo. Ação ocorreu na sexta-feira (24), após a concessionária apontar suspeitas de fraude no consumo do imóvel.
Durante a vistoria, os técnicos constataram um desvio de duas fases feito diretamente da rede, antes de a fiação passar pelo medidor. A ligação clandestina servia para abastecer os freezers do estabelecimento comercial de forma irregular.
Com a confirmação do crime, as equipes desfizeram a fraude e conduziram o responsável pelo local ao distrito policial. Ele foi autuado e permaneceu preso, enquanto a autoridade policial instaurou um inquérito para aprofundar as investigações sobre o caso.
A prática, popularmente conhecida como 'gato', vai muito além do prejuízo financeiro. Segundo a concessionária, os desvios sobrecarregam os transformadores e comprometem a qualidade do fornecimento de energia para toda a vizinhança, além de gerarem risco iminente de incêndios e curtos-circuitos fatais.
Apenas entre janeiro e maio de 2026, a distribuidora confirmou 88 irregularidades em Santos e recuperou 206 mil quilowatts-hora (kWh) que haviam sido desviados. O cenário é ainda mais alarmante no recorte da Baixada Santista: no mesmo período, a rede de proteção contabilizou 811 fraudes, constatadas a partir de 1.260 inspeções técnicas na região litorânea, com 1,8 milhão de kWh recuperados.
A empresa ressalta que moradores que desconfiarem de ligações irregulares em seus bairros podem encaminhar denúncias anônimas por meio do aplicativo CPFL Energia (Android e IOS) e pelo site oficial da companhia.
Embora o termo 'gato' possa banalizar a ação, o desvio clandestino de eletricidade é um crime tipificado no Brasil. A conduta se enquadra no artigo 155 do Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940), que trata do crime de furto.
A legislação é clara ao determinar no parágrafo 3º do mesmo artigo que a energia elétrica tem valor econômico e, portanto, subtraí-la é crime sujeito a penas que variam de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa. A depender de como a ligação irregular foi construída, o suspeito ainda pode responder por estelionato e até por danos ao patrimônio público.