FRAUDE ELÉTRICA

'Gato' para abastecer freezers leva dono de comércio à cadeia no litoral de São Paulo

Polícia Civil e concessionária flagraram esquema direto na rede elétrica; manobra criminosa causava risco de apagão na vizinhança


Redação
Publicado em 28/07/2026, às 11h17

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Quadro de luz do comércio e agente da Polícia Científica vistoriando o local
Ligações clandestinas sobrecarregam rede elétrica e representam graves riscos de incêndio e acidentes - Divulgação/CPFL Piratininga


Um homem foi preso em flagrante no bairro Paquetá, em Santos, após técnicos descobrirem um desvio de energia elétrica usado para abastecer os freezers do seu estabelecimento. A fraude foi neutralizada durante uma operação conjunta da Polícia Civil com a concessionária.

Apenas nos primeiros cinco meses de 2026, a Baixada Santista registrou mais de 800 casos de furtos do tipo. O crime de desvio de energia é previsto no Código Penal e pode render até quatro anos de cadeia, além de gerar graves riscos de incêndio para toda a vizinhança.

Uma operação conjunta entre a Polícia Civil e a CPFL Piratininga resultou na prisão em flagrante de um homem por furto de energia, no bairro Paquetá, em Santos, litoral de São Paulo. Ação ocorreu na sexta-feira (24), após a concessionária apontar suspeitas de fraude no consumo do imóvel.

Durante a vistoria, os técnicos constataram um desvio de duas fases feito diretamente da rede, antes de a fiação passar pelo medidor. A ligação clandestina servia para abastecer os freezers do estabelecimento comercial de forma irregular.

Com a confirmação do crime, as equipes desfizeram a fraude e conduziram o responsável pelo local ao distrito policial. Ele foi autuado e permaneceu preso, enquanto a autoridade policial instaurou um inquérito para aprofundar as investigações sobre o caso.



Riscos e números na região

A prática, popularmente conhecida como 'gato', vai muito além do prejuízo financeiro. Segundo a concessionária, os desvios sobrecarregam os transformadores e comprometem a qualidade do fornecimento de energia para toda a vizinhança, além de gerarem risco iminente de incêndios e curtos-circuitos fatais.

Apenas entre janeiro e maio de 2026, a distribuidora confirmou 88 irregularidades em Santos e recuperou 206 mil quilowatts-hora (kWh) que haviam sido desviados. O cenário é ainda mais alarmante no recorte da Baixada Santista: no mesmo período, a rede de proteção contabilizou 811 fraudes, constatadas a partir de 1.260 inspeções técnicas na região litorânea, com 1,8 milhão de kWh recuperados.

A empresa ressalta que moradores que desconfiarem de ligações irregulares em seus bairros podem encaminhar denúncias anônimas por meio do aplicativo CPFL Energia (Android e IOS) e pelo site oficial da companhia.



Entenda a lei: o que diz o Código Penal

Embora o termo 'gato' possa banalizar a ação, o desvio clandestino de eletricidade é um crime tipificado no Brasil. A conduta se enquadra no artigo 155 do Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940), que trata do crime de furto.

A legislação é clara ao determinar no parágrafo 3º do mesmo artigo que a energia elétrica tem valor econômico e, portanto, subtraí-la é crime sujeito a penas que variam de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa. A depender de como a ligação irregular foi construída, o suspeito ainda pode responder por estelionato e até por danos ao patrimônio público.

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