OMISSÃO

PF indicia presidente da Voepass e mais 15 por queda de avião em Vinhedo

Investigação aponta cultura de omissão na companhia aérea; aeronave que caiu no interior paulista decolou com falhas no sistema de degelo


Redação
Publicado em 07/08/2026, às 11h17

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Queda de avião da Voepass
Queda provocou a morte de 62 pessoas em Vinhedo, em 2024 - Divulgação/SSP-SP


A Polícia Federal (PF) indiciou, na quinta-feira (6), 16 pessoas por envolvimento na queda do avião da Voepass Linhas Aéreas, em Vinhedo (SP), ocorrida em agosto de 2024.

Todos os investigados têm ligação com a companhia, incluindo o presidente da empresa. A queda do turboélice ATR 72-500 deixou 62 mortos, sem sobreviventes. Uma das vítimas era de Ubatuba, no litoral de São Paulo.

A Justiça Federal determinou que os indiciados não podem deixar o país e devem retornar ao Brasil caso estejam no exterior. O Ministério Público Federal (MPF) analisa o inquérito para decidir quem receberá denúncia formal.



Segundo a PF, 15 pessoas respondem pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo e uma — o comandante do voo da madrugada, que pilotou anteriormente o avião em que ocorreu a queda — por falsidade ideológica.

Entre os indiciados pelo crime contra a segurança do transporte aéreo estão o diretor-presidente da Voepass, diretores de manutenção e operações, o mecânico acusado de omitir manutenção e o comandante do voo anterior, que teria entregado a aeronave sem relatar falhas.

As penas variam de quatro a 12 anos de prisão, podendo dobrar (de oito a 24 anos) em razão do resultado com mortes.



Cultura de omissão e falhas mecânicas

A corporação pediu à Justiça autorização para compartilhar os dados com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e com a Procuradoria da República no Distrito Federal. O objetivo é apurar possíveis falhas administrativas de fiscalização.

O delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro, destacou o cenário encontrado nas investigações: “Nossa equipe analisou dezenas de processos de fiscalização da Anac e se pode perceber que havia ali [na Voepass] uma cultura realmente de omissão e que não era uma cultura de quem estava ali na ponta, no dia a dia do mecânico da pista, não, era uma cultura de uma omissão implementada na empresa”.

De acordo com as investigações, o avião não tinha condições técnicas para voar sob formação de gelo severo e precipitações. Equipamentos essenciais, como o sistema de degelo e o limpador de para-brisas, estavam inoperantes. Mesmo com as falhas, a empresa autorizou a decolagem.



Durante o trajeto, o sistema de segurança alertou os pilotos gradativamente sobre a piora nas condições climáticas. Contudo, a PF aponta que a tripulação ignorou os avisos sonoros e o alerta visual de emergência (master caution).

A polícia também descobriu que a aeronave apresentou problemas semelhantes em viagens anteriores. Orientados pela chefia, os pilotos omitiam as falhas nos relatórios para evitar que a aeronave fosse impedida de continuar voando.

* Com informações da Agência Brasil



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