"Era um filho muito amoroso", diz mãe de Josias de Lira; jovem estava a passeio na praia junto com o amigo Gustavo Bueno, que também morreu

Pescadores encontraram o corpo de Josias de Lira, turista de 27 anos, na manhã de ontem (12). Ele estava desaparecido no mar da Prainha Branca, em Guarujá, no litoral de São Paulo, desde o início da tarde de segunda-feira (9). Josias, morador de Itapevi, região de Osasco, estava na cidade a passeio com o amigo Gustavo Bueno, de 27 anos, que também se afogou, mas foi resgatado no mesmo dia em estado grave e não resistiu.
Segundo consta no boletim de ocorrência obtido pela reportagem, pescadores acionaram o Corpo de Bombeiros Marítimo (GBMar), por volta das 9h, informando que haviam encontrado um corpo no mar, próximo à Prainha Branca, local onde o turista desapareceu. Um dos guardas-vidas reconheceu o corpo ao confrontá-lo com uma foto do jovem deixada pela família.
Por meio de nota, a Polícia Científica informou que a vítima resgatada na praia da Enseada, em Bertioga, foi encaminhada para o IML (Instituto Médico Legal) de Santos, e passou por exames necroscópicos. Familiares realizaram o reconhecimento na manhã desta sexta-feira (13).
Em entrevista à reportagem momento antes de o turista ser encontrado, Juliana de Paula, mãe de Josias, contou que ele e Gustavo chegaram no litoral no domingo (8), para um ‘bate e volta’, e o planejado era retornar no mesmo dia, já que o filho teria uma entrevista de emprego no início da semana. No entanto, ele teria sido convencido a estender a estadia por mais um dia, o que resultou na permanência até a segunda-feira (9) dia do incidente.
Ainda conforme relato da mãe, Josias não sabia nadar. "Ele sempre foi muito caseiro e responsável, um filho amoroso que raramente bebia. Ele não sabia nadar e eu nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer", disse a mãe, muito abalada.
A mãe de Josias reforçou, ainda, que o filho sempre mantinha contato constante, ligando para informá-la de seus passos. "Ele é um filhão, muito cuidadoso, responsável, sempre me avisava onde estava e eu também falava onde estava. Ainda assim, esse acidente aconteceu", lamentou.

Nas redes sociais, uma publicação feita por Josias no domingo (8), e enviada pela mãe à reportagem, mostrava seu entusiasmo pela viagem. Ele chegou a postar uma foto dizendo: "Bertioga, já quero morar em você".
Geovane dos Santos Barboza, morador da Prainha Branca e que já atuou como salva-vidas por três temporadas, foi uma das primeiras pessoas a notar o afogamento dos amigos.
Ele contou que estava na praia quando foi alertado sobre um corpo [de Gustavo] na água. "Eu e meu amigo resgatamos a vítima, mas ele já estava submerso por mais de meia hora", relatou. Geovane disse que ainda tentou reanimá-lo com massagem cardíaca e insuflação com o auxílio de um ambu (bolsa autoinflável) até a chegada do resgate, mas Gustavo não resistiu.
O GBMar foi acionado por volta do meio-dia para atender o caso. Ao chegarem, encontraram Gustavo em parada cardiorrespiratória, mas, apesar dos esforços, ele teve o óbito confirmado no pronto-socorro de Bertioga. Por meio de nota enviada à reportagem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, por meio da Polícia Técnico-Científica, que o corpo de Gustavo foi liberado para a família na terça-feira (10) e o sepultamento ocorreu no dia seguinte. Não conseguimos contato com a família de Gustavo.
Na manhã desta quinta-feira (12), o GBMar informou que as buscas por Josias foram retomadas às 7h e, por volta das 10h, o corpo do jovem foi encontrado atrás da ilha, próximo do local acessado pelos dois.

A Prainha Branca, localizada na divisa com Bertioga, e conhecida por suas trilhas e forte correnteza, já foi cenário de outros incidentes similares e é considerado um local perigoso para banhistas inexperientes. A ausência de guardas-vidas fixos no local durante a baixa temporada aumenta o risco, especialmente, para aqueles que desconhecem as condições do mar.
Geovane conta que costuma fazer resgates desse tipo no local e ressalta a importância de os banhistas se atentarem às sinalizações dos locais perigosos para banho de mar. “Os trechos mais perigosos são o cantão devido às sinistras correntezas lá, em frente do campo, laricas e próximo à ilha”, disse.