PROTEÇÃO RÁPIDA

Novo sistema entre a Polícia Civil e a Militar agiliza medidas protetivas contra violência doméstica, em Santos

Sistema permite que a PM registre casos de violência doméstica no próprio local da ocorrência; Santos é a primeira cidade do estado com a tecnologia


Redação
Publicado em 22/04/2026, às 16h47

FacebookTwitterWhatsApp

Novo sistema entre Polícia Civil e Militar agiliza medidas protetivas contra violência doméstica, em Santos
Novo sistema visa diminuir a subnotificação de casos de violência doméstica - Imagem ilustrativa/SSP


O governo de São Paulo lançou um sistema que promete transformar o combate à violência doméstica no estado. A ferramenta permite que a Polícia Militar registre o boletim de ocorrência ainda no local do crime, com encaminhamento automático para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Online. A operação começou em Santos no início de abril e a previsão é que seja expandida para todo o estado a partir de maio.

A tecnologia utiliza o Registro Integrado de Evento de Segurança Pública (Riesp-VDM). Com ele, os dados coletados pela PM são enviados diretamente à Polícia Civil, que já elabora o boletim de ocorrência (BOPC), solicita exames periciais e agiliza o pedido de medida protetiva à Justiça.

Na primeira semana de testes em Santos, sete ocorrências foram formalizadas pelo novo sistema; destas, seis já contavam com solicitação de proteção imediata.



Promessa de fim do deslocamento e da subnotificação

Uma das principais barreiras no combate à violência contra a mulher é a subnotificação. Em 2025, o serviço 190 recebeu diariamente entre 1,2 mil e 1,4 mil chamadas do gênero no estado de São Paulo, mas apenas 600 a 800 viraram boletim de ocorrência.

Muitas vezes, o agressor foge antes da chegada da viatura, e a vítima, por medo ou dependência emocional, acaba não indo até uma delegacia física para oficializar a denúncia.

O tenente-coronel Rodrigo Vilardi, coordenador do CICC, destaca que “tudo o que ela iria pedir em uma delegacia, ela já consegue solicitar no momento da ocorrência. Agora basta falar tudo apenas uma vez”. Com o novo fluxo, a vítima pode receber a medida protetiva por e-mail, sem precisar se deslocar.



Avaliação de risco e acolhimento

Durante o atendimento, o policial preenche o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar). O documento identifica o grau de vulnerabilidade da mulher e, com autorização, compartilha os dados com a rede de apoio para monitoramento de casos graves.

Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, a medida ajuda a vítima a entender que o estado está ao seu lado desde o primeiro contato.

Em Santos, o projeto conta ainda com o apoio da Cabine Lilás, do Comando de Policiamento do Interior 6 (CPI-6). Policiais especializadas monitoram os chamados via 190, para garantir que o atendimento seja humanizado e que a vítima receba todas as orientações sobre direitos, assistência jurídica e acolhimento em abrigos ou auxílio-aluguel.



Para mais conteúdos

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!