INVESTIGAÇÃO

Morte de bebê causa comoção e afasta médico de hospital no litoral de SP

Família acusa profissional de negligência, após diagnóstico incorreto e falta de exames no pronto-socorro de Vicente de Carvalho


Redação
Publicado em 17/10/2025, às 19h38

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Morte de bebê causa comoção e afasta médico de hospital no litoral de SP
Yohan apresentava choro intenso e sinais de dor abdominal havia dois dias - Reprodução/Arquivo Pessoal


Um médico foi afastado de suas funções no pronto-socorro de Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá, no litoral de São Paulo, após denúncias de negligência no atendimento, que resultou na morte do pequeno Yohan Gustavo, de apenas um ano e 29 dias. O caso ocorreu na madrugada de 8 de outubro e gerou forte comoção na cidade.

Segundo o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Guarujá, o avô do menino relatou que Yohan apresentava choro intenso e sinais de dor abdominal havia dois dias. A família levou a criança ao pronto-socorro da avenida São João, onde o médico responsável teria feito apenas uma avaliação superficial, sem solicitar exames complementares.

De acordo com o relato da mãe, o profissional limitou-se a apalpar o abdômen do bebê e prescreveu seis medicamentos, entre eles um remédio para gases e uma vitamina para anemia. Mesmo inconformada com o diagnóstico, a família seguiu as orientações e retornou para casa.



Durante a madrugada do dia 8, Yohan teve uma piora repentina. Segundo os familiares, ele tremia e apresentava os olhos vidrados. Desesperados, os pais o levaram à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Rodoviária, também em Guarujá, onde os profissionais tentaram reanimá-lo, mas o menino não resistiu.

O atestado de óbito apontou como causas a insuficiência respiratória aguda, abdome agudo obstrutivo e intussuscepção intestinal, uma obstrução que, segundo a família, poderia ter sido detectada por exames simples de imagem, como o raio-x. O diagnóstico gerou indignação entre parentes e amigos, que usaram as redes sociais para cobrar respostas das autoridades.

Após a repercussão, a mãe procurou novamente a Polícia Civil e formalizou a denúncia contra o médico, ao alegar negligência médica. A autoridade policial orientou que fossem entregues cópias dos relatórios e prontuários médicos do atendimento em ambas as unidades de saúde para dar continuidade às investigações.



Em nota, a prefeitura de Guarujá informou que à luz dos fatos, agiu de imediato com abertura de sindicância para apurar o ocorrido. Além disso, notificou a Organização Social IBJ, responsável pela unidade do pronto-socorro de Vicente de Carvalho, que afastou o médico envolvido, até que tudo esteja esclarecido. A prefeitura de Guarujá informou ainda que se solidariza com a família, se colocando à disposição para qualquer auxílio que houver necessidade.

A família de Yohan aguarda a conclusão dos laudos e exige justiça. "Foram apenas 26 horas entre a alta e a perda do nosso bebê", desabafou a mãe nas redes sociais. O caso segue sob investigação do 2º Distrito Policial de Guarujá, responsável por apurar se houve falha médica ou omissão de socorro.

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