LEVANTAMENTO

Imprudência é principal causa do alto índice de afogamentos no litoral de São Paulo

Banhistas ignoram avisos nas praias e se arriscam ao mergulhar em áreas proibidas. Trinta pessoas já morreram desde dezembro


Reginaldo Pupo
Publicado em 16/01/2026, às 14h25

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Imprudência é principal causa do alto índice de afogamentos no litoral de São Paulo
Banhistas que consomem bebidas alcoólicas estão entre os que mais dão trabalho na praia - Foto: Lenildo Silva/CN


Litoral paulista registrou, desde dezembro passado, ao menos 30 mortes por afogamento. Número de vítimas fatais só não foi maior porque 1.475 banhistas foram salvos por equipes do GBMar (Grupo de Bombeiros Marítimo) e populares durante o período, com média de uma morte por dia.

Imprudência dos banhistas, que ignoram avisos e alertas espalhados pelas praias, obriga a corporação a utilizar diversos recursos para atuar nas ações de salvamento, como boias, pranchas, embarcações, moto aquáticas, quadriciclos, viaturas e até helicópteros, que foram acionados 26 vezes para atuar em ocorrências, entre dezembro e o fim de semana passado (dias 10 e 11 de janeiro).

Diversos banhistas foram flagrados pela reportagem em algumas praias do litoral norte, em áreas onde havia placas com alertas sobre o perigo de nadar no trecho onde estavam. Entre elas, havia muitas crianças, algumas sozinhas, sem acompanhamento de um responsável.



Um guarda-vidas que atua em uma praia de São Sebastião, que pediu anonimato, afirmou que tem muito trabalho para convencer banhistas que ignoram os alertas de perigo no mar.

“A gente faz um trabalho de conscientização antes de o banhista entrar na água. Alertamos sobre os perigos que as correntezas, principalmente as de retorno, podem causar. Mas somos completamente ignorados”, desabafou.

Ele conta que os banhistas que mais dão trabalho são os que consomem bebidas alcoólicas. “Parece que eles se sentem superiores quando bebem, que nada pode acontecer com eles. Muitos alegam que sabem nadar, mas não aguentam em pé na primeira onda grande que os atingem. Aí temos que correr para salvá-los”.



Segundo o profissional, que é formado em enfermagem, quando o banhista consome álcool, ele perde os reflexos, o equilíbrio e o julgamento. “Banhistas nessas condições enfrentam risco altíssimo de afogamento, mesmo para bons nadadores, pois as pessoas subestimam perigos como correntes e bancos de areia, e ainda podem sofrer desidratação, cãibras e exaustão, o que pode ser fatal”, conclui.

Número de mortes

As cidades que registraram maior número de mortes por afogamento, entre 1º de dezembro e 11 de janeiro, foram Guarujá e Itanhaém, com oito óbitos cada, seguidas por Praia Grande (6); Mongaguá (3); Ubatuba (2) e São Sebastião, Ilhabela e Ilha Comprida (1). Já os municípios de Bertioga, Caraguatatuba, Peruíbe, Santos e São Vicente não registraram morte por afogamento.

E de acordo com relatório mais recente do GBMar, só entre 1 e 13 de janeiro foram 20 óbitos: Praia Grande (4); Guarujá (4); Itanhaém (4); Bertioga (2); São Vicente (2); Mongaguá (2); e, por fim, Ubatuba (1) e Ilha Comprida (1). 



Nos números acima estão contabilizados os casos recentes registrados desde o início desta semana, como o de um homem de 60 anos que morreu afogado próximo à ilha Porchat, em São Vicente, na terça-feira (13); e dos dois corpos localizados em um intervalo de duas horas, nas praias de Itaguaré e Enseada, em Bertioga, na segunda-feira (12).

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