Vítima foi induzida a realizar pagamentos e transferências bancárias em conversa com suposta central de fraudes; Polícia Civil investiga o caso

Um empresário de Santos, no litoral de São Paulo, foi vítima de golpe que resultou em prejuízo de mais de R$ 300 mil, ao realizar pagamentos e transferências, via Pix, a estelionatários. O caso foi registrado na segunda-feira (12) e é investigado pela Polícia Civil do 7º Distrito Policial da cidade, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP).
O empresário, de 46 anos, relatou à polícia que começou a receber ligações insistentes de um número desconhecido. No sábado (10), ele conta que decidiu atender à ligação e foi informado que sua conta bancária havia sido invadida. O estelionatário se apresentou como representante da central de fraudes do banco, na qual a vítima é correntista, e a orientou a continuar o atendimento pelo aplicativo de mensagens WhatsApp.
Durante a conversa no aplicativo de mensagens instantâneas, o empresário foi instruído a realizar uma série de procedimentos, supostamente, para proteger suas contas bancárias de novas fraudes. A vítima foi convencida a realizar um pagamento no valor de R$ 18.644,12, via cartão de crédito, sob a alegação de que o valor seria recuperado posteriormente. Além disso, o empresário foi orientado pelo golpista a fazer diversas transferências via Pix para diferentes contas, totalizando um montante de R$ 284.770.
Segundo apurado pela reportagem, ele realizou mais de 10 transações bancárias, tanto pela conta pessoal quanto pelas contas da empresa, que resultaram em prejuízo acumulado de R$ 303.414,12. A vítima disse que seguiu todas as instruções acreditando que, dessa forma, estaria se protegendo de fraudes.

A descoberta de que havia caído em um golpe ocorreu após o empresário receber mensagem de SMS do banco, com alerta sobre uma compra de R$ 50, o que o levou a procurar o banco para esclarecer a situação. A vítima foi informada de que se tratava de um golpe e orientada a registrar um boletim de ocorrência, pois o banco não faz contato por telefone para tratar de fraudes.
Por meio de nota enviada à reportagem, a SSP informou que o caso citado foi registrado e é investigado pelo 7º DP de Santos. “Diligências estão em andamento visando o esclarecimento dos fatos e detalhes serão preservados para garantir autonomia ao trabalho policial”, informou a pasta.
O golpe do pix é um crime de estelionato e funciona da seguinte forma: um suposto atendente entra em contato com um correntista do banco e informa que movimentações financeiras suspeitas foram detectadas na conta. Por estarem com medo, as vítimas ficam desorientadas e tendem a ser facilmente manipuladas.
Em seguida, os criminosos aplicam uma tática de engenharia social para ganhar a confiança da vítima: revelam dados que já conhecem, como nome completo e data de nascimento, para passar a impressão de legitimidade. Em contrapartida, podem solicitar que os correntistas confirmem alguns dados, então, tudo começa a desandar.
Algumas pessoas informam números de cartões de crédito e o dígito de segurança, CPF e várias outras informações que podem (e serão) utilizadas para apreender o dinheiro das vítimas, realizar compras em seu nome, e até utilizar seus dados para abrir “contas laranjas” para movimentar dinheiro ilegal.
Além disso, é possível aplicar outras táticas, como informar a existência de uma suposta dívida, a qual precisa ser paga imediatamente por um boleto que o criminoso emite e envia à vítima, ou até solicitar uma transferência, ou Pix, como é o caso do empresário de Santos.
A criatividade dos criminosos é infinita e sempre surgem novas estratégias para roubar dados alheios. Seja como for, é imprescindível estar atento para não se tornar mais uma vítima. Veja algumas dicas a baixo.
Lembre-se que nenhum banco jamais solicitará que você realize uma transação financeira durante ou depois do atendimento (como transferências, PIX, e pagamento de boletos), para pagar por uma dívida que você desconhece, e também não pedirá a confirmação de dados pessoais. Sobre este último, é importante entender que os dados só devem ser confirmados quando você liga para o número oficial do banco, e não quando eles te ligam. Caso contrário, desconfie.