Polícia Civil ofereceu indiciamento por homicídio culposo, falsidade ideológica e exercício ilegal, após tragédia com moto aquática no mar

A Polícia Civil indiciou o responsável pela moto aquática utilizada no passeio que terminou com a morte de Dheorge Pereira Bernardino e o resgate de Bruna Damaris Sant'Anna da Silva, após cerca de 42 horas à deriva no mar de Ilhabela, litoral norte de São Paulo.
O caso ocorreu no dia 24 de maio e o empresário responsável pelo jet ski responderá, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), por homicídio culposo majorado, falsidade ideológica e exercício ilegal de atividade. Defesa diz que não foi oficialmente comunicada sobre o indiciamento, e que foi surpreendida com a divulgação da informação.
De acordo com a SSP, o inquérito policial reuniu novos depoimentos e o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML), que apontou afogamento como causa da morte de Dheorge. A investigação prossegue para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência, enquanto a Marinha do Brasil mantém em andamento um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN).
Bruna e Dheorge desapareceram após saírem para um passeio de moto aquática. No dia seguinte, a embarcação foi localizada à deriva, sem ocupantes. Bruna sobreviveu após permanecer aproximadamente 42 horas em alto-mar, até ser encontrada por pescadores. Já o corpo de Dheorge foi localizado em 1º de junho por equipes de busca.
As buscas mobilizaram uma força-tarefa formada pelo Corpo de Bombeiros, Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira (FAB) e Polícia Militar, que atuaram durante vários dias na tentativa de localizar as vítimas.

No início de junho, novas imagens obtidas pela Polícia Civil passaram a integrar o inquérito. As gravações mostram a movimentação dos envolvidos antes da saída para o passeio e também após o retorno da lancha, quando Bruna e Dheorge já estavam desaparecidos no mar.
O material também registra conversas entre integrantes do grupo que, segundo a investigação, estariam discutindo versões sobre o ocorrido antes dos depoimentos às autoridades. As imagens também indicam que a comunicação oficial do desaparecimento à polícia ocorreu apenas às 23h47 do dia 24 de maio, várias horas após o retorno da embarcação à marina.
Outra linha investigativa buscou esclarecer como Dheorge teve acesso à moto aquática. Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, o empresário afirmou que não alugou nem emprestou a embarcação, e sustentou que Dheorge retirou a moto aquática sem autorização, utilizando uma chave reserva guardada em um compartimento da embarcação.
Uma testemunha presente no passeio confirmou essa versão. Até o momento, pelo menos 13 pessoas prestaram depoimento, e a Polícia Civil não descarta novas oitivas com base nas provas reunidas.
Em nota à imprensa, a defesa do empresário afirmou que não foi oficialmente comunicada sobre o indiciamento e informou ter sido surpreendida com a divulgação da informação. O advogado declarou que aguarda acesso integral aos autos para se manifestar detalhadamente sobre o caso, e ressaltou que o indiciamento, por si só, não representa eventual oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.
Dheoge pilotava a moto aquática e estava acompanhado da jovem Bruna Damaris, resgatada com vida na terça-feira (26). Pescadores avistaram a mulher perto da ilha do Tamanduá, em Caraguatatuba. Após o socorro inicial no mar, profissionais do Samu a encaminharam ao hospital municipal Governador Mário Covas Júnior, em Ilhabela. A paciente apresentou evolução clínica e recebeu alta médica na quinta-feira (28).
O jet ski utilizado pela dupla foi localizado à deriva um dia após o desaparecimento, o que ajudou a delimitar a área de atuação do resgate. Desde então, as autoridades mantinham uma força-tarefa para encontrar o homem. A operação contou com militares e embarcações do GBMar e da Marinha, além de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (Aeronáutica).
O caso é investigado pela Delegacia Sede de Ilhabela; o delegado responsável pelas investigações afirmou à imprensa que o inquérito permanece em fase de apuração, e que ainda não há elementos suficientes para a conclusão do caso.
Segundo ele, se ficar comprovado que a moto aquática foi disponibilizada de forma irregular, o responsável poderá responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
A Polícia Civil também ressaltou que prestar informações falsas durante uma investigação configura crime de falso testemunho e pode resultar em responsabilização criminal.