Polícia Civil analisa vídeos que mostram grupo de amigos antes e depois do desaparecimento de casal de amigos no litoral norte de São Paulo

O surgimento de novas imagens em posse da Polícia Civil de Ilhabela, litoral norte de São Paulo, pode trazer novos desdobramentos para a apuração do caso do acidente com a moto aquática, que terminou com a morte de Jorge Bernardino e o resgate de Bruna Damares.
Os vídeos mostram a movimentação dos envolvidos antes e depois do passeio e agora integram o inquérito conduzido pela Polícia.
As gravações registram momentos anteriores à saída do grupo para o passeio marítimo no dia 24 de maio. Nas imagens divulgadas pelo programa Domingo Espetacular, da Record TV, o empresário conhecido como Neto Mineiro aparece de moto aquática e reúne-se com amigos antes do embarque em uma lancha.
Segundo a investigação, o grupo seguiu para o mar com nove pessoas a bordo, entre elas Jorge e Bruna.

Horas depois, a lancha retornou à costa sem os dois passageiros. Jorge e Bruna desapareceram em alto-mar após o uso da moto aquática. Pescadores encontraram Bruna com vida após cerca de 42 horas à deriva. Já as equipes de busca localizaram o corpo de Jorge oito dias depois.
O conteúdo das imagens chamou a atenção dos investigadores, pois registra conversas entre integrantes do grupo após o desaparecimento. Em trechos captados por câmeras de segurança, algumas pessoas discutem versões sobre os fatos e orientam umas às outras sobre o relato que dariam às autoridades.
A Polícia Civil analisa se houve tentativa de alinhamento de depoimentos ou eventual ocultação de informações relevantes para a investigação.
Outra linha de investigação é apurar como Jorge teve acesso à moto aquática. Em entrevista ao programa da Record TV, Neto Mineiro afirmou que não alugou nem emprestou a moto aquática e sustentou que Jorge pegou o veículo sem autorização e saiu com Bruna sem comunicar ninguém.
Uma testemunha presente na embarcação no dia do passeio confirmou essa versão. Segundo ela, a chave usada era uma reserva, que permanecia guardada em um compartimento da própria moto aquática.
As novas imagens também revelam que a comunicação oficial do desaparecimento à polícia ocorreu apenas às 23h47 daquele dia, várias horas após o retorno da embarcação à marina sem as duas vítimas.
Até o momento, pelo menos 13 pessoas prestaram depoimento. Com a análise dos vídeos e de novas provas reunidas nos últimos dias, a Polícia Civil não descarta convocar testemunhas para novos interrogatórios.
Jorge pilotava a moto aquática e estava acompanhado da jovem Bruna Damaris, resgatada com vida na terça-feira (26). Pescadores avistaram a mulher perto da ilha do Tamanduá, em Caraguatatuba. Após o socorro inicial no mar, profissionais do Samu a encaminharam ao hospital municipal Governador Mário Covas Júnior, em Ilhabela. A paciente apresentou evolução clínica e recebeu alta médica na quinta-feira (28).
O jet ski utilizado pela dupla foi localizado à deriva um dia após o desaparecimento, o que ajudou a delimitar a área de atuação do resgate. Desde então, as autoridades mantinham uma força-tarefa para encontrar o homem. A operação contou com militares e embarcações do GBMar e da Marinha, além de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (Aeronáutica).
O caso é investigado pela Delegacia Sede de Ilhabela; o delegado responsável pelas investigações afirmou à imprensa que o inquérito permanece em fase de apuração e que ainda não há elementos suficientes para a conclusão do caso.
Segundo ele, caso fique comprovado que a moto aquática foi disponibilizada de forma irregular, o responsável poderá responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
A Polícia Civil também ressaltou que prestar informações falsas durante uma investigação configura crime de falso testemunho e pode resultar em responsabilização criminal.