AGRESSÃO NA ESCOLA

Adolescente autista é agredido em escola de Bertioga: “Ele ficou sem ar”

Breno Magnum sofreu agressões verbais, físicas e foi ameaçado; segundo a Seduc, os responsáveis pelos envolvidos foram chamados para reunião


Redação
Publicado em 27/05/2024, às 14h15 - Atualizado às 15h28

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Mãe do aluno disse que o filho levou um soco no peito, bateu na parede e ficou sem ar - Arquivo pessoal (Idiane da Silva)
Mãe do aluno disse que o filho levou um soco no peito, bateu na parede e ficou sem ar - Arquivo pessoal (Idiane da Silva)


Um adolescente de 13 anos foi agredido, na manhã de sexta-feira (24), dentro da Escola Estadual William Auréli, no bairro Rio da Praia, em Bertioga, litoral de São Paulo. Segundo relatos da mãe, Idiane da Silva, o filho Breno Magnum, diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), foi vítima de arranhões, socos e lesões na cabeça, cometidos por dois alunos.

Bruno Magnum, pai de Breno, compareceu à delegacia para registrar o ocorrido. Em seu depoimento, ele relatou que o filho estava no pátio da escola, conversando com amigos, quando foi arranhado por uma aluna. Posteriormente, um rapaz que participava de uma ‘batalha de rimas’ desceu do palco, foi em direção a Breno e o agrediu verbal e fisicamente.

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“O agressor começou a proferir xingamentos e palavras de baixo calão ao Breno e, em seguida, desferiu-lhe um soco, no peito, que fez com que meu filho batesse em uma parede, machucando as costas e a cabeça, e disse ainda que se ele ficasse ali, iria tomar mais porrada”, relatou o pai da vítima.

Em entrevista à reportagem, Idiane relatou que seu filho foi agredido sem motivo aparente. "Fui até a escola na sexta-feira, mas me informaram que não podiam fazer nada, pois os alunos da manhã já haviam ido embora. Pedi as imagens das câmeras do pátio, mas disseram que, por lei, não é possível ver, para não quebrar o direito dos outros alunos."



Segundo a mãe, o Breno levou um soco no peito, bateu na parede e ficou sem ar. Uma outra aluna havia arranhado seu braço antes, e disseram que poderia ter sido sem querer", completou. Idiane compartilhou o caso de Breno nas redes sociais e viralizou.

Na publicação, ela ressalta a importância de dar voz ao seu filho e a outras crianças que sofrem violência nas escolas. "Nosso filho é precioso para nós. Vamos fazer o que for preciso para garantir sua segurança e a de outras crianças. Um menino alegre, feliz, ama os animais; tem suas dificuldades, mas estamos superando todos os dias e ele não merece ser agredido nem verbal nem físico” escreveu.

Nesta segunda-feira (27), os pais de Breno informaram à reportagem que já conseguiram agendar a consulta do filho no Instituto Médico Legal (IML), para o procedimento de corpo de delito. Ainda de acordo com os pais, a escola ligou para eles na manhã desta segunda-feira (27), e pediu para que comparecessem à instituição para mostrar as imagens da agressão; tambem foi marcada reunião com todos os envolvidos.



O que diz a Secretaria de Educação

Procurada pela reportagem, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informou, por meio de nota, que os responsáveis pelos  envolvidos foram convocados para uma reunião de mediação, e o caso foi registrado no aplicativo do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar - Conviva-SP.

De acordo com a secretaria, a unidade está em constante diálogo com os responsáveis em relação ao diagnóstico do aluno Breno e da documentação necessária para adaptação do currículo e o apoio sistemático, levando em consideração as especificidades do estudante.

A nota informou ainda que a secretaria lamenta o caso, é veementemente contra qualquer tipo de agressão, seja ela dentro ou fora da unidade escolar, e que tem  compromisso com a política pública inclusiva. "A secretaria segue trabalhando a cultura de paz, respeito ao próximo e bons hábitos por meio de projetos, palestras e ações do Programa Conviva-SP, com o apoio de um psicólogo do programa Psicólogos nas Escolas".



Por fim, a Seduc informou que a Diretoria de Ensino de Santos e a escola William Auréli estão à disposição dos responsáveis para quaisquer esclarecimentos.

O que diz a Secretaria de Segurança

Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o caso foi registrado como vias de fato, injúria e ameaça, na Delegacia de Bertioga. Segundo a SSP, o pai da vítima foi orientado sobre o prazo decadencial de seis meses para representação criminal.

Hospital de Bertioga

Já a prefeitura de Bertioga confirmou, por meio do Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), responsável pela gestão do Hospital Municipal de Bertioga, que a vítima foi atendida pela equipe multidisciplinar do hospital e que o paciente foi medicado; após reavaliação médica, recebeu alta.



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