Agência vetou marcas Synedica e TG, comercializadas ilegalmente no Instagram; em BH, paciente teve paralisia e urina vermelha após aplicação

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quarta-feira (21), proibição total da venda, distribuição e uso de uma série de "canetas emagrecedoras" sem registro no Brasil.
Produtos, muitas vezes chamados de "canetas do Paraguai", são vendidos livremente na internet e representam risco severo à saúde.
Medida atinge medicamentos à base de tirzepatida (das marcas Synedica e TG) e de retatrutida (todas as marcas e lotes). Segundo a agência, esses itens são fabricados por empresas desconhecidas e não possuem qualquer garantia de qualidade ou procedência.
Alerta da Anvisa ganha contornos dramáticos com o caso de uma mulher de 42 anos, internada em estado grave em Belo Horizonte (MG), desde dezembro, após utilizar uma dessas canetas emagrecedoras, comprada sem receita médica.
Segundo a família, sintomas começaram com urina avermelhada e dores abdominais. O quadro evoluiu rapidamente para fraqueza muscular, insuficiência respiratória e problemas neurológicos. Médicos investigam hipóteses de intoxicação medicamentosa severa.
A Anvisa identificou que as marcas proibidas (Synedica e TG) são amplamente divulgadas em perfis no Instagram. Como entram no país de forma clandestina, não passam pelo controle de temperatura e armazenamento exigido para medicamentos biológicos, o que pode alterar sua composição e torná-los tóxicos.
O cerco contra esses produtos irregulares já havia se intensificado em novembro de 2025, quando a Anvisa proibiu a entrada de marcas populares no mercado paralelo, como Lipoless, Tirzazep e T.G. 5.
Na ocasião, a agência esclareceu um ponto crucial: embora a importação de medicamentos sem registro seja permitida excepcionalmente para uso pessoal, essa regra não se aplica quando há uma resolução de proibição específica.
Ou seja, trazer essas 'canetas' para o Brasil, mesmo com receita médica e para consumo próprio, é ilegal devido aos altos riscos de falsificação e falta de controle sanitário.