Centro de diagnóstico utiliza tecnologias de última geração, para identificar cânceres e outras doenças com mais rapidez e precisão

Pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passam a contar com uma nova estrutura voltada ao diagnóstico de alta precisão. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) inaugurou o Centro Avançado de Diagnóstico Molecular, considerado o primeiro laboratório público do Brasil dedicado à oferta de tecnologias genômicas e moleculares para pacientes da rede pública.
Instalado no hospital São Paulo, o centro reúne equipamentos de última geração capazes de analisar até 5 mil biomarcadores em uma única amostra de tecido, permitindo identificar diferentes doenças de forma mais rápida e precisa.
A iniciativa resulta de parceria entre a Unifesp, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Saúde, com o objetivo de aproximar a pesquisa científica da assistência prestada aos pacientes do SUS.
Diferentemente dos exames laboratoriais convencionais, o diagnóstico molecular utiliza técnicas capazes de analisar o DNA, o RNA e outras características genéticas das células. Esses testes ajudam a identificar alterações responsáveis pelo desenvolvimento de doenças, o que permite diagnósticos mais precisos, além de auxiliar os médicos na escolha do tratamento mais adequado para cada paciente.
Segundo a Unifesp, o novo centro integra essas tecnologias aos exames de patologia, e fortalece a chamada medicina de precisão, abordagem que considera as características individuais de cada doença antes da definição da terapia.
O laboratório foi desenvolvido para apoiar o diagnóstico molecular de diversas enfermidades, com destaque para:
Além do atendimento aos pacientes, a estrutura também será utilizada em pesquisas científicas e no desenvolvimento de novas estratégias para diagnóstico e tratamento.
Entre as tecnologias disponíveis está a biópsia líquida, considerada uma das principais inovações da medicina diagnóstica. O exame permite identificar mutações genéticas por meio de uma simples coleta de sangue, reduzindo a necessidade de procedimentos cirúrgicos para obtenção de amostras de tecido em determinadas situações.
Segundo a universidade, essa tecnologia pode acelerar o diagnóstico, facilitar o acompanhamento da evolução da doença e auxiliar na escolha do tratamento mais adequado.
O Centro Avançado de Diagnóstico Molecular reúne diferentes plataformas utilizadas atualmente nos principais centros de pesquisa e diagnóstico do mundo. Entre elas, estão a PCR digital (dPCR), indicada para detectar alterações genéticas em baixíssima quantidade, e utilizada, por exemplo, na biópsia líquida; a PCR em tempo real (qPCR), empregada no diagnóstico de doenças infecciosas, genéticas e na análise da expressão gênica; e o sequenciamento de nova geração (NGS), capaz de analisar simultaneamente centenas de genes para identificar variantes genéticas associadas a diferentes doenças.
Segundo a Unifesp, essas tecnologias permitem detectar alterações moleculares com elevada sensibilidade e precisão, contribuindo para diagnósticos mais completos e decisões terapêuticas mais individualizadas.
A expectativa da universidade é ampliar o acesso da população às tecnologias de medicina de precisão, permitindo diagnósticos mais precoces e tratamentos mais personalizados.
De acordo com a Unifesp, a plataforma também contribuirá para o desenvolvimento de pesquisas, incorporação de novos testes moleculares e fortalecimento da assistência oferecida pelo SUS, aproximando inovação científica e atendimento aos pacientes.