Anvisa libera produto inalatório indicado para pacientes adultos com hipertensão pulmonar associada à doença pulmonar intersticial

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de novo medicamento para o tratamento da hipertensão pulmonar associada à doença pulmonar intersticial (HP-DPI). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) por meio da Resolução RE nº 2.942, de 28 de julho de 2026.
O medicamento, comercializado com o nome Tyvaso, é destinado à inalação oral e indicado para pacientes adultos com hipertensão pulmonar, pertencentes ao Grupo 3 da classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reúne os casos associados a doenças pulmonares e/ou hipóxia.
Segundo a Anvisa, atualmente não há qualquer medicamento registrado no Brasil com essa indicação específica.
A hipertensão pulmonar é uma síndrome clínica e hemodinâmica caracterizada pelo aumento da resistência vascular na circulação pulmonar. Isso faz com que a pressão exercida pelo sangue nas artérias dos pulmões aumente, exigindo mais esforço do coração para bombear o sangue.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença é dividida em cinco grupos, considerando fatores como mecanismos fisiopatológicos, características clínicas, alterações hemodinâmicas e abordagem terapêutica.
O Tyvaso foi aprovado para um grupo específico de pacientes: aqueles com hipertensão pulmonar associada à doença pulmonar intersticial.
O Tyvaso é composto por treprostinila, substância que atua de forma semelhante às prostaciclinas, compostos que promovem o relaxamento dos vasos sanguíneos.
Segundo a Anvisa, esse mecanismo reduz a pressão na artéria pulmonar, melhora o fluxo de sangue e diminui o esforço do coração. Como consequência, aumenta o fornecimento de oxigênio para o organismo e contribui para melhorar a capacidade de exercício dos pacientes adultos. O tratamento deve ser administrado por inalação oral em quatro sessões diárias.
Apesar da aprovação do registro sanitário, o medicamento ainda não está sendo comercializado. Antes de chegar ao mercado brasileiro, será necessária a aprovação do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Após essa etapa, caberá à empresa responsável pelo registro definir quando o produto será disponibilizado aos pacientes.
Segundo a Anvisa, a hipertensão pulmonar é considerada uma doença rara e afeta cerca de duas a cinco pessoas a cada 1 milhão de adultos por ano. O tempo médio de sobrevida dos pacientes é de 2,8 anos.
Conforme estabelece a RDC nº 205/2017, doenças raras são aquelas que atingem até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes.