Médicos alertam que perda rápida de peso com semaglutida pode causar rugas, queda de cabelo e aparência envelhecida

O uso crescente de medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic, Rybelsus e Wegovy, acendeu o alerta entre especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Anvisa. Embora sejam indicados para controle do diabetes tipo 2, os efeitos adversos vão além dos conhecidos sintomas gastrointestinais e podem afetar diretamente a pele e até causar perda de visão em casos raros.
Segundo o dermatologista João Renato Gontijo, coordenador do Departamento de Medicina Interna da SBD, efeitos dermatológicos como queda de cabelo, alterações de sensibilidade (formigamento ou queimação) e reações no local da aplicação subcutânea vêm sendo observados. Casos isolados de doenças autoimunes, como penfigoide bolhoso, também foram relatados.
Além disso, a rápida perda de peso, uma das principais consequências do uso da semaglutida, pode provocar flacidez, rugas, aparência envelhecida e até deficiências nutricionais. “A perda de volume subcutâneo afeta a elasticidade e hidratação da pele”, explica Gontijo.
Já Daniel Coimbra, coordenador da área de Cosmiatria da SBD, aponta que a semaglutida pode inibir a proliferação de células-tronco adiposas. “Isso pode acelerar o envelhecimento da face em até 10 anos, dependendo do paciente”, afirma. Para minimizar esses impactos, os especialistas recomendam o uso controlado de ácido hialurônico, hidratação contínua, fotoproteção e produtos com ácido retinoico. Procedimentos minimamente invasivos também são indicados para estimular o colágeno.
A Anvisa reforça que a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noiana), condição rara que pode causar perda súbita de visão, foi associada ao uso da semaglutida. A reação será incluída na bula desses medicamentos. No Brasil, foram registradas 52 suspeitas de distúrbios oculares relacionados a esse princípio ativo. Pacientes com sintomas visuais devem suspender o uso e procurar atendimento médico imediatamente.
Outro alerta da Anvisa é voltado para pacientes que passarão por anestesia ou sedação profunda. Como os agonistas GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico, existe risco de aspiração e pneumonia durante cirurgias. Médicos devem ser informados sobre o uso prévio desses medicamentos.
Desde o dia 23 de junho, farmácias e drogarias em todo o país só podem vender medicamentos como Ozempic, Rybelsus, Saxenda e outros análogos do GLP-1, mediante a apresentação de receita médica em duas vias, com retenção obrigatória de uma delas.
A nova exigência da Anvisa se aplica a substâncias como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida, originalmente utilizadas para o tratamento do diabetes tipo 2, mas também usadas para emagrecimento. O objetivo é coibir o uso indiscriminado desses medicamentos, especialmente para fins estéticos, após aumento no número de notificações de eventos adversos no sistema VigiMed.
A prescrição agora tem validade de até 90 dias e farmácias devem registrar todas as movimentações no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). O uso off label, fora das indicações de bula, continua permitido, desde que haja prescrição médica com consentimento do paciente.
A medida já era defendida por entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que alertavam para os riscos da automedicação e da falta de controle no acesso aos chamados “emagrecedores injetáveis”.
*Com informações da Anvisa e Sociedade Brasileira de Dermatologia