CUIDADO

Médicos alertam sobre o uso indiscriminado de testosterona por mulheres

Especialistas apontam que reposição hormonal não tem indicação estética; prática aumenta riscos à saúde e pode causar problemas


Redação
Publicado em 07/08/2026, às 10h58

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Braço com curativo
Publicações prometem pele mais firme, ganho de massa muscular, emagrecimento e aumento da libido - Reprodução/Agência Gov


Nas redes sociais, mensagens sobre reposição de testosterona em mulheres circulam de forma repetida e persistente.

As publicações prometem pele mais firme, ganho de massa muscular, emagrecimento e aumento da libido. No entanto, especialistas afirmam que é falsa a ideia de que todas as mulheres precisam repor o hormônio para melhorar a saúde, a disposição ou evitar os efeitos do envelhecimento.

A reposição desse e de outros hormônios não é uma necessidade universal. O uso só deve ocorrer por indicação clínica, após avaliação individual e com rigoroso acompanhamento médico.



A prescrição depende do quadro clínico de cada paciente e precisa considerar sintomas, exames, histórico de saúde e evidências científicas. Portanto, moradoras do litoral paulista que buscam clínicas ou farmácias com fins estéticos devem redobrar a atenção.

Indicação restrita e científica

Sociedades médicas apontam que a única indicação reconhecida cientificamente para o uso terapêutico da testosterona em mulheres é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) na pós-menopausa. Ainda assim, a medicina orienta o uso desse recurso apenas após o esgotamento de outras abordagens e a confirmação de persistência do problema.

Uma nota conjunta da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicada em maio de 2025, destaca os perigos do uso indiscriminado.



Segundo o comunicado, a prática de dosar esse hormônio como exame de rotina ou sob alegação de "déficit androgênico" (queda nos níveis hormonais) não possui respaldo científico e induz à prescrição sem indicação.

Riscos e efeitos adversos

O uso sem necessidade comprovada, em doses superiores às recomendadas, ou em combinação com outras substâncias aumenta os riscos à saúde. Por isso, os especialistas recomendam cautela com promessas genéricas de mais energia, rejuvenescimento e benefícios estéticos.

A testosterona sem indicação clínica causa diversos problemas, como:



  • Acne e oleosidade excessiva;

  • Alopecia (perda significativa de cabelo e pelos);

  • Alterações no fígado;

  • Dislipidemia (distúrbio nos níveis de gorduras no sangue, o que pode formar placas nas artérias);

  • Dependência psíquica;

  • Problemas no coração e nos vasos sanguíneos.

Dados da Anvisa

Dados de farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre medicamentos classificados como anabolizantes mostram aumento das notificações de eventos adversos nos últimos anos, com pico em 2024.

A testosterona e a somatropina, que são remédios controlados regularizados no Brasil e possuem indicações terapêuticas aprovadas, concentram mais de 90% dos registros do grupo.

Isso não significa, necessariamente, que houve crescimento proporcional dos problemas causados por essas substâncias. Os sistemas de notificação espontânea sofrem influência de fatores como maior conscientização de pacientes, expansão das plataformas eletrônicas e aumento do engajamento de profissionais de saúde com a farmacovigilância.



* Com informações da Agência Gov

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