Infectologistas apontam que diagnóstico tardio agrava risco de morte; janela de 48 horas após primeiros sintomas é decisiva para o tratamento

As chuvas intensas de verão e os consequentes alagamentos acendem alerta para uma doença perigosa e muitas vezes subestimada: a leptospirose.
O estado de São Paulo registrou 364 casos confirmados da infecção em 2025. Médicos do hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) alertam que a confusão dos sintomas iniciais, com gripes e dengue, costuma atrasar o diagnóstico e agravar o quadro do paciente.
Doença possui uma "janela de oportunidade" curta. As primeiras 48 horas após o início dos sintomas definem o sucesso do tratamento e podem impedir que a bactéria comprometa órgãos vitais como rins e pulmões.
Como a leptospirose causa febre e dor de cabeça em 90% dos casos, é comum que o paciente ache que está com virose. No entanto, a infectologista Andrea Almeida, do HSPE, destaca um marcador clínico específico que ajuda a diferenciar a doença.
Segundo a médica, a presença de fortes dores musculares, marcadamente nas panturrilhas (também conhecida como "batata da perna"), é o sinal que deve levar a pessoa a buscar ajuda imediata, especialmente se houve contato com água de chuva ou lama.
Muitos pacientes só procuram o hospital quando notam a icterícia (coloração amarelada na pele e nos olhos). Esse sinal, porém, indica que a infecção já atingiu uma fase avançada e grave, com risco de falência de órgãos e danos ao sistema nervoso central.
Letalidade da doença é alta: em 2025, quase 15% dos casos confirmados resultaram em óbito.
A médica adverte contra a automedicação. O uso de anti-inflamatórios por conta própria pode piorar o quadro. Tratamento correto exige antibióticos específicos e, em casos graves, terapia dialítica (diálise).
Sintomas da leptospirose podem aparecer de 1 a 30 dias após o contato com a água contaminada, lama ou entulhos.