Coleta de sangue monitora a próstata a partir dos 45 anos; hábitos cotidianos como pedalar antes do teste podem alterar o resultado

Cuidar da própria saúde ainda enfrenta barreiras culturais entre o público masculino, que costuma adiar consultas e exames preventivos. Em entrevista ao Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral, o biomédico Carlos Eduardo Pires detalhou a importância das análises clínicas para a prevenção de doenças graves, e alertou sobre hábitos simples que adulteram os testes laboratoriais.
O câncer de próstata é conhecido por se desenvolver de forma silenciosa, sem manifestar sintomas nas fases iniciais. Por essa razão, o monitoramento médico torna-se obrigatório para os homens a partir dos 45 anos de idade.
O principal aliado dos laboratórios nesse cenário é o teste de PSA (antígeno prostático específico). No entanto, o biomédico faz um alerta importante: a análise de sangue serve como um excelente sinalizador para o clínico, mas não descarta a necessidade do exame de toque retal para uma avaliação física completa da glândula.
Muitos pacientes desconhecem que certas atividades feitas antes de entrar na sala de coleta podem causar uma falsa elevação nos níveis de PSA, gerando resultados incorretos. Para garantir a exatidão do diagnóstico, o profissional destaca duas situações comuns que exigem repouso, ou atenção prévia:
Embora o fator hereditário desempenhe um papel relevante no surgimento de tumores, o biomédico reforça que os hábitos cotidianos pesam de forma decisiva na prevenção. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o tabagismo figuram entre os principais agravantes para a saúde do homem.
Para contrapor os riscos e afastar o sedentarismo, a recomendação é fracionar a prática de atividades físicas ao longo da rotina, como explica Carlos Eduardo Pires:
A atividade física é importante que a gente faça pelo menos 150 minutos por semana. Fica mais aliviado se pensarmos em meia horinha por dia, cinco vezes na semana. É mais fácil pôr em minutos do que falar que tem que fazer todos os dias."
O desconhecimento sobre os procedimentos laboratoriais alimenta o preconceito e afasta os homens dos cuidados preventivos. O biomédico aproveitou a oportunidade para desmistificar um erro clássico cometido por muitos pacientes que confundem o funcionamento do PSA.
O teste é feito unicamente por meio da coleta de sangue tradicional, feita na veia do antebraço do paciente, sem qualquer necessidade de exposição física ou retirada de roupas.
O profissional relembrou, de forma descontraída, o caso real de um idoso que pediu uma sala reservada e começou a se despir por acreditar de forma equivocada que o procedimento exigia a remoção das vestes.
*Com informações do biomédico Carlos Eduardo Pires, para o quadro Saúde em Dia, da TV Cultura Litoral.