Mais de 26 mil pessoas esperam por um transplante no estado de SP; doação de órgãos e tecidos é um gesto capaz de salvar e transformar vidas

Neste sábado (27), é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos, e o mês de setembro é dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, o Setembro Verde. Somente no primeiro semestre deste ano, o estado de São Paulo fez 4.229 transplantes de coração, fígado, pâncreas, pulmão, rim e córneas. Ainda assim, a fila de espera permanece expressiva: atualmente, 26.819 pacientes aguardam por um transplante no estado paulista.
A doação de órgãos e tecidos é um gesto de solidariedade capaz de salvar e transformar vidas. Para que esse ato se concretize, é essencial que cada pessoa manifeste à família e aos amigos o desejo de ser doador.
Confira os principais mitos e verdades sobre o assunto, de acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES).
A doação de órgãos ocorre após o diagnóstico de morte cerebral. O paciente geralmente está no pronto-socorro ou em leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), em estado grave, e, nessa condição, é diagnosticada a morte cerebral. Então, a família é comunicada sobre a morte.
Em São Paulo, existem as Organizações de Procura de Órgãos (OPO), que avaliam o potencial doador, analisando se existe ou não alguma contraindicação para a doação, como HIV, tuberculose ou câncer sem critério de cura. Tudo é avaliado no momento em que o paciente é diagnosticado com morte encefálica, ou seja, quando é declarado morto. A partir daí, entende-se se ele pode ou não ser um doador.
A entrevista familiar para doação de órgãos é semiestruturada. Os enfermeiros que trabalham na Organização de Procura de Órgãos são treinados para conduzir esse processo. Nessa conversa, busca-se compreender o que a pessoa pensava em vida, se já havia manifestado opinião sobre doação, e também esclarecer dúvidas da família sobre o tema. Se não houver informações prévias, a possibilidade da doação é apresentada e discutida. No Brasil, a doação de órgãos é um direito, não uma obrigação.
A família entrevistada pela Organização de Procura de Órgãos recebe acompanhamento próximo, desde o primeiro momento até a liberação do corpo. Esse apoio é feito por meio de encontros presenciais ou conversas telefônicas. As famílias podem entrar em contato sempre que necessário, e são informadas passo a passo sobre o processo até o momento de retirar o corpo do ente querido no hospital.
A lei brasileira exige que o corpo seja devolvido em bom estado para a família. Após a retirada multiorgânica, ficam apenas cicatrizes semelhantes às de uma cirurgia cardíaca, como a de revascularização miocárdica.

No Brasil, a lei determina que podem autorizar a doação parentes de primeiro e segundo graus em linha reta ou colateral, como pais, irmãos, avós, filhos e netos. No caso de menores de 18 anos, ambos os pais, se vivos, precisam assinar o termo de doação. Lembrando que não há custo algum para a família do doador.
Nenhuma religião proíbe a doação de órgãos. Pelo contrário, a maioria incentiva, pois trata-se de um ato de amor e caridade ao próximo.
Como faz para ser doador de órgãos?
É fundamental comunicar esse desejo à família. No Brasil, a doação de órgãos segue a lei do consentimento informado: a família precisa ser consultada e autorizar formalmente o procedimento por meio da assinatura do termo de doação. Em caso de morte encefálica, a possibilidade de doar só poderá se concretizar com essa autorização. Quando a família já conhece o desejo do falecido, a decisão torna-se muito mais fácil.
Sim. Caso o doador não tenha qualquer doença, pode doar em vida um dos rins, parte do fígado, medula óssea e até parte de um pulmão, mas apenas para familiares até o quarto grau de parentesco.
Sim. De um único doador é possível obter diversos órgãos e tecidos, incluindo coração, pulmão, rins, fígado, pâncreas, córneas, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem e medula óssea.
Todas as pessoas podem ser potenciais doadores, independentemente da idade ou histórico médico. Exames clínicos e laboratoriais realizados no momento da morte determinarão a viabilidade da doação e quais órgãos e tecidos poderão ser aproveitados.
Sim. Cada órgão possui características específicas que determinam o tempo máximo para sua retirada após a morte encefálica do doador, bem como o tempo máximo para a realização do transplante.
Correto. Para a doação, são feitos diversos testes para avaliar a compatibilidade entre doador e receptor. Além disso, realiza-se uma avaliação clínica e laboratorial do potencial doador para garantir a qualidade do enxerto e prevenir a transmissão de doenças infecciosas ou neoplásicas.