Pesquisa de Ribeirão Preto aponta que a alimentação do homem nos três meses anteriores à concepção reflete no desenvolvimento do recém-nascido
Redação
Publicado em 19/10/2026, às 11h09

A relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados pelos pais e as características dos bebês ao nascer é o foco de uma nova pesquisa no estado de São Paulo. Um estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP identificou uma associação entre a dieta paterna e as medidas corporais dos recém-nascidos.
Os especialistas indicam que os cuidados com a alimentação do homem devem iniciar pelo menos três meses antes da concepção. Esse período corresponde à formação e à maturação dos espermatozoides. Segundo a pesquisadora e doutora Mariana Rinaldi Carvalho, responsável pelo levantamento, os hábitos de vida afetam a qualidade reprodutiva.
No nosso estudo encontramos uma associação positiva entre o consumo desses alimentos e o peso ao nascer, o índice ponderal e algumas medidas de adiposidade dos recém-nascidos. Ou seja, quanto maior o consumo pelo pai, maiores eram algumas dessas medidas”, detalha Mariana.
A pesquisadora esclarece que a descoberta levanta uma hipótese importante, mas exige novos estudos para comprovar uma relação de causa e efeito. As principais suspeitas biológicas envolvem mecanismos epigenéticos, que modificam a regulação dos genes sem alterar o DNA. Fatores como estresse oxidativo e processos inflamatórios também ajudam a explicar a influência.
O excesso de açúcar, gordura e aditivos cria um ambiente metabólico desfavorável. Essas substâncias reduzem a qualidade e a motilidade dos espermatozoides, aumentam as espécies reativas de oxigênio e impactam o desenvolvimento do embrião.
O estudo também avaliou as diferenças no cardápio de homens e mulheres. Na alimentação paterna, os ultraprocessados representaram 30% da energia consumida, com destaque para salsichas, bacon, bebidas açucaradas e bolachas. Já entre as mães, o índice ficou em 26%, com maior frequência de hambúrgueres, refeições prontas, salgadinhos e batatas fritas industrializadas.
A pesquisa comparou o impacto de ambas as dietas no bebê. O alto consumo de ultraprocessados pelos pais apresentou associação direta com o aumento dos indicadores de crescimento ao nascer. Na alimentação materna, os cientistas observaram o efeito inverso com esses parâmetros.
Enquanto as dietas maternas não saudáveis afetam o crescimento fetal de forma direta no útero, os hábitos paternos exercem influência por vias epigenéticas. O processo afeta o metabolismo e o desenvolvimento da criança ainda na fase intrauterina.
*Com informações da Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo.