Estimativas do Inca apontam números semelhantes para as duas doenças; diagnóstico precoce e acesso à informação são fundamentais para tratamento

O câncer de mama e o câncer de próstata devem provocar, juntos, cerca de 156,5 mil novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. As estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam 78.610 novos diagnósticos anuais de câncer de mama e 77.920 de próstata, números que evidenciam a dimensão das duas doenças no país.
Embora atinjam predominantemente grupos diferentes da população, os dois tipos de câncer têm um ponto em comum: a importância de ampliar a informação, reconhecer sinais suspeitos e garantir acesso à investigação diagnóstica e ao tratamento.
O tema ganha destaque em outubro, com a campanha Outubro Rosa, voltada à conscientização sobre o câncer de mama. Em novembro, o Novembro Azul chama a atenção para a saúde masculina, incluindo a prevenção e o diagnóstico do câncer de próstata.
O Brasil registrou 20.849 mortes por câncer de mama em 2024, segundo dados do Inca. No mesmo ano, o câncer de próstata provocou 17.826 mortes no país. Os números mostram a dimensão da mortalidade associada às duas doenças, embora não permitam, isoladamente, comparar o risco individual de cada uma, já que atingem populações diferentes.
O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Já o câncer de próstata é o mais frequente entre os homens, também excluindo os tumores de pele não melanoma.
Os dados indicam uma diferença de apenas 690 casos estimados por ano entre os dois tipos de câncer. Já os números de mortalidade correspondem a registros de 2024, enquanto os novos casos são projeções para cada ano do triênio 2026–2028. Portanto, são indicadores de períodos e naturezas diferentes.
A campanha Outubro Rosa destaca a importância de conhecer o próprio corpo e procurar atendimento médico diante de alterações suspeitas nas mamas.
Entre os sinais que merecem investigação estão o aparecimento de nódulos, mudanças na pele, alterações no mamilo e saída espontânea de secreção, especialmente com sangue. A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer, mas deve ser avaliada por um profissional de saúde.
A observação das mamas no dia a dia pode ajudar a perceber mudanças, mas o autoexame não substitui a mamografia nem a avaliação médica.
No Brasil, o rastreamento de rotina pelo SUS é recomendado para mulheres de 50 a 74 anos, com mamografia a cada dois anos. Mulheres com sintomas suspeitos devem procurar avaliação independentemente da idade.
O câncer de próstata também pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando surgem manifestações, elas podem incluir dificuldade para urinar, redução do jato urinário, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite e presença de sangue na urina.
A idade é um dos principais fatores de risco. O histórico familiar, especialmente de pai ou irmão diagnosticado antes dos 60 anos, também merece atenção. A investigação pode envolver avaliação clínica, exame de sangue para medir o PSA e toque retal, conforme a indicação médica. O diagnóstico é confirmado por biópsia quando há suspeita.
O Inca não recomenda o rastreamento populacional de rotina para homens sem sintomas, porque as evidências disponíveis não demonstram que os benefícios superem os riscos. Homens que desejam fazer exames preventivos devem conversar com um profissional de saúde sobre possíveis benefícios, limitações e riscos, considerando o histórico individual.
Nos dois casos, identificar uma suspeita e buscar atendimento são etapas importantes para que a investigação ocorra em tempo oportuno. O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento, mas não significa que todos os casos serão identificados em fases iniciais.
Mulheres e homens que percebam alterações ou apresentem sintomas devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou uma Unidade de Saúde da Família (USF). A equipe poderá avaliar cada situação e encaminhar para exames e atendimento especializado, quando necessário.
As campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul contribuem para colocar a saúde em evidência, mas o acompanhamento médico deve ocorrer durante todo o ano. O acesso à informação, a avaliação individualizada e a continuidade do cuidado são fundamentais para enfrentar as duas doenças.