Isolamento, irritabilidade, choro frequente e medo de ir à escola estão entre os comportamentos que merecem atenção da família

O Dia Mundial de Combate ao Bullying, lembrado em 20 de outubro, chama a atenção para a importância de prevenir agressões e identificar situações de violência entre crianças e adolescentes. Para pais e responsáveis, observar mudanças de comportamento pode ser um passo importante para perceber quando um filho precisa de ajuda.
O bullying envolve agressões físicas, verbais ou psicológicas repetidas e pode afetar a saúde emocional, a convivência social e o desempenho escolar. As situações podem ocorrer na escola e em outros ambientes de convivência. No meio digital, práticas como insultos, ameaças e montagens com imagens também podem caracterizar cyberbullying.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) estabelece a primeira quinta-feira de novembro como o Dia Internacional contra a Violência e o Bullying na Escola, incluindo o cyberbullying. A iniciativa reforça a necessidade de mobilizar famílias, escolas e comunidades para prevenir essas práticas e proteger crianças e adolescentes.
Nem sempre a criança conta espontaneamente que está passando por agressões. Por isso, pais e responsáveis devem prestar atenção a mudanças persistentes na rotina e no comportamento.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
Isolamento: a criança passa a evitar amigos, colegas ou atividades de que gostava;
Irritabilidade: apresenta alterações de humor, fica mais nervosa ou reage de maneira diferente do habitual;
Choro frequente: demonstra tristeza recorrente ou fica emocionalmente abalada sem explicar o motivo;
Medo de ir à escola: tenta evitar as aulas ou demonstra preocupação excessiva com o ambiente escolar;
Queda no desempenho escolar: apresenta dificuldades de concentração ou piora nas notas.
Esses comportamentos não confirmam, isoladamente, que a criança sofre bullying. No entanto, quando surgem de forma persistente ou em conjunto, merecem atenção e uma conversa cuidadosa para entender o que ocorre.
Também é importante observar se a criança apresenta comportamentos agressivos com colegas, professores e familiares. Essa mudança pode indicar dificuldades que precisam ser investigadas, sem que a criança seja rotulada antes de se compreender a situação.
O diálogo é uma das principais ferramentas para identificar possíveis situações de violência. Crianças e adolescentes precisam sentir que podem contar o que acontece sem medo de julgamentos ou punições.
1. Observe mudanças de comportamento
Preste atenção a alterações na rotina, no humor, no sono, na convivência com colegas e na disposição para frequentar a escola. Faça perguntas com tranquilidade e demonstre interesse pelo que a criança sente, sem pressioná-la a falar.
2. Ensine empatia e respeito às diferenças
Converse sobre respeito, convivência e consequências das agressões. Explique que humilhar, ameaçar, excluir ou constranger outra pessoa não é uma brincadeira e pode causar sofrimento.
3. Incentive a criança a pedir ajuda
Mostre que contar sobre uma situação de violência é uma forma de se proteger, não um motivo de vergonha. Oriente a criança a procurar um adulto de confiança, como um familiar, professor ou profissional da escola.
4. Procure apoio psicológico quando necessário
O acompanhamento psicológico pode ajudar crianças e adolescentes que sofrem bullying a lidar com os efeitos emocionais. Crianças que praticam agressões também podem precisar de orientação para compreender suas atitudes e desenvolver formas respeitosas de se relacionar.
5. Fique atento ao cyberbullying
A violência também pode acontecer pela internet, em redes sociais e aplicativos de mensagens. Insultos, ameaças e montagens com imagens de colegas podem ampliar a exposição da vítima e prolongar as agressões para além do ambiente escolar.
Acompanhe o uso da internet de acordo com a idade da criança, converse sobre limites e segurança digital e oriente-a a guardar registros das agressões e procurar ajuda de um adulto de confiança. Evite compartilhar conteúdos que exponham a vítima.
No Brasil, a Lei nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, conhecido como bullying, e prevê ações de prevenção e enfrentamento desse tipo de violência.
Já a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para incluir entre as responsabilidades dos estabelecimentos de ensino a promoção de medidas de conscientização, prevenção e combate à violência, especialmente à intimidação sistemática, além da promoção da cultura de paz.
Desde janeiro de 2024, a legislação brasileira também passou a prever crimes específicos relacionados ao bullying e ao cyberbullying. A mudança reforça a importância de prevenir as agressões e buscar orientação diante de suspeitas de violência.
O enfrentamento do bullying exige atenção conjunta de familiares, profissionais da educação e, quando necessário, especialistas. Ao perceber sinais de sofrimento, os responsáveis podem conversar com a criança, procurar a escola e solicitar que a situação seja apurada e acompanhada.
A escola deve acolher a vítima e adotar medidas para interromper as agressões, enquanto a família precisa manter o diálogo aberto e acompanhar o caso. Ignorar os sinais ou tratar a violência como uma simples brincadeira pode dificultar a busca por ajuda.