Observar três pontos principais nas embalagens é crucial para evitar alimentos que podem, aumentar a chance de desenvolver câncer

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), avaliou que o consumo frequente de carnes processadas está associado ao aumento do risco de câncer colorretal, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.
Conclusão baseia-se em evidências científicas analisadas pelo órgão e publicadas no banco de dados científico PubMed (PMID: 26514903), que classifica esses alimentos como carcinogênicos para humanos Grupo 1.
Diante desse cenário, especialistas e órgãos de saúde recomendam reduzir o consumo desses alimentos, aprender a identificar carnes processadas no dia a dia, interpretar rótulos dos produtos e substituí-los por opções mais naturais e menos processadas na alimentação.
De acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde, carne processada é aquela que passou por processos industriais como salga, cura, fermentação, defumação e adição de conservantes, para melhorar o sabor e aumentar a durabilidade do produto.
Segundo o Ministério da Saúde, o consumo constante desses alimentos pode aumentar a chance de desenvolver câncer, especialmente o câncer de intestino (cólon e reto).
Substâncias presentes na fumaça do processo de defumação, além de conservantes como nitritos e nitratos, podem favorecer a formação de compostos associados ao desenvolvimento da doença.
De acordo com a nutricionista oncológica Drª. Aracy Freitas, “a maioria das carnes processadas é produzida com algum tipo de aditivo ou processo industrial para melhorar sabor e aparência. Esses aditivos são justamente os fatores associados ao aumento de risco de doenças”.
A maioria das carnes processadas é feita a partir de carne suína ou bovina, mas também pode incluir outras carnes vermelhas, aves, vísceras ou subprodutos de carne.
Entre os exemplos mais comuns estão:
Uma das estratégias mais recomendadas por especialistas é substituir embutidos por alimentos menos processados e mais naturais.
Segundo a Drª. Aracy Freitas, pequenas mudanças no cardápio já podem fazer diferença. “Substituir carnes processadas por alimentos mais naturais é uma forma simples de melhorar a qualidade da alimentação e reduzir riscos à saúde”, afirma.
Algumas alternativas incluem:
A nutricionista também destaca a importância de uma alimentação equilibrada. “Um padrão alimentar saudável inclui proteínas de qualidade, como ovos, peixes e frango, além de leguminosas, gorduras boas, grãos integrais, frutas, verduras e alimentos ricos em antioxidantes”, explica
O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, também orienta que alimentos in natura, ou minimamente processados, sejam a base da alimentação.
Entre eles estão:
O documento classifica embutidos e outros produtos industrializados como alimentos ultraprocessados, recomendando que seu consumo seja evitado ou reduzido.
Aprender a interpretar rótulos é uma das formas mais simples de reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados.
Especialistas recomendam observar três pontos principais nas embalagens.
A lista de ingredientes aparece sempre em ordem decrescente de quantidade, ou seja, o primeiro item é o que está presente em maior proporção no alimento.
Produtos com listas curtas e ingredientes conhecidos tendem a ser menos processados. Já alimentos com muitos aditivos, conservantes e corantes costumam ser ultraprocessados.
Também é importante ficar atento aos chamados açúcares escondidos, que podem aparecer com nomes diferentes, como:
A tabela nutricional mostra a composição do alimento por porção.
Entre os principais pontos a observar estão:
Outro indicador importante é o %VD (Valor Diário), que mostra quanto aquela porção representa em uma dieta padrão de 2.000 calorias.
A rotulagem nutricional frontal passou a indicar, por meio de um símbolo de lupa, quando o alimento é:
Uma dica simples recomendada por nutricionistas é observar os três primeiros ingredientes da lista. Se entre eles estiverem farinha refinada, açúcar ou gordura, o alimento provavelmente é ultraprocessado e deve ser consumido com cautela
A classificação da OMS coloca as carnes processadas no Grupo 1 de agentes carcinogênicos, categoria que reúne substâncias para as quais existe evidência científica suficiente de que podem causar câncer em humanos.
A nutricionista oncológica explica que essa classificação reflete o nível de evidência científica acumulado ao longo dos anos. “As carnes processadas estão classificadas no grupo 1 de carcinógenos. Isso significa que já há evidência suficiente da ligação entre o consumo desses alimentos e o aumento do risco de câncer”, afirma.
Ela ressalta que a relação entre consumo e risco é dose-dependente. “Quando se fala em aumento de risco de câncer associado a um alimento, estamos falando de consumo regular. O relatório da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer destaca que essa relação é dose-dependente, ou seja, quanto maior o consumo, maior o risco”, explica.
Estudos indicam que o consumo diário de cerca de 50 gramas de carne processada, o equivalente a uma salsicha, pode aumentar em aproximadamente 18% o risco de câncer colorretal.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda evitar o consumo de carnes processadas sempre que possível. “O ideal é não consumir produtos como presunto, salsicha, mortadela, linguiça, salame, bacon ou peito de peru. Caso haja consumo, a orientação é ingerir a menor quantidade possível”, afirmam pesquisadores do instituto.