Valor não estava previsto em contrato da concessionária que administra a rodovia dos Tamoios. Novo acesso substituirá via provisória em área populosa

Em meio às discussões sobre seu processo de concessão à iniciativa privada, o governo de São Paulo vai desembolsar R$ 55,8 milhões para investir em novo acesso ao porto de São Sebastião, que, atualmente, é feito por uma extensão de 22,7km da rodovia dos Tamoios, a partir de Caraguatatuba, o contorno sul.
Para que o novo acesso seja concluído, o governo estadual precisou criar um termo aditivo, já que a obra não estava prevista no contrato inicial da concessionária Nova Tamoios, que já concluiu a duplicação do trecho de serra e a construção dos contornos sul (que liga Caraguatatuba a São Sebastião) e norte (que liga a mesma cidade até o bairro Martim de Sá, para facilitar o tráfego até Ubatuba, sem passar pelo centro), ao custo de R$ 3,1 bilhões.
O termo aditivo foi publicado no Diário Oficial na quarta-feira (6). Os recursos serão repassados para a concessionária que administra a rodovia. O acesso é uma reivindicação da comunidade de São Sebastião, especialmente dos bairros Topolândia, Olaria e Itatinga, os mais populosos da cidade.
A rodovia passa por cima dos dois últimos bairros e termina em um trecho urbano da rodovia Rio-Santos (SP-5), na avenida principal, onde há grande fluxo de carros, pedestres, bicicletas e especialmente caminhões e carretas que se dirigem ao porto e que se agrava em épocas de alta temporada. O acesso ao porto é provisório.
A obra, de acordo com a Secretaria de Parcerias em Investimentos, do estado, irá melhorar o tráfego local e otimizar a entrada e saída do porto, pois o acesso chega dentro do terminal. Desta forma, o governo estadual, que não informou sobre o início da obra, diz esperar impulsionar o movimento ao porto.
O anúncio sobre a nova obra de acesso ao porto ocorre um dia após os prefeitos de São Sebastião, Reinaldo Moreira, e de Ilhabela, Antônio Colucci, se reunirem com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para discutir sobre as mudanças no modelo de concessão do porto sebastianense, pertencente à União, que concedeu ao governo de São Paulo o direito de uso.
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A reunião serviu para que ambos demonstrassem preocupação com os impactos do novo modelo sobre a economia dos dois municípios e da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte), que reúno 36 cidades, já que porto de São Sebastião é um eixo estratégico para a logística e competitividade de centenas de empresas instaladas na região e também na RMC (Região Metropolitana de Campinas).
De acordo com Colucci, a região não quer aceitar um modelo que concentre operações, limite a concorrência e, em sua opinião, coloque em risco o abastecimento e o desempenho econômico de uma das regiões mais dinâmicas do estado de São Paulo. Ele alegou que há necessidade de diálogo, respeitando a vocação econômica da região.