Delegação visita Alemanha e Dinamarca para entender impactos, tecnologia e soluções adotadas no Fehmarnbelt, que inspira o túnel entre as cidades do litoral

Uma comitiva brasileira, formada por parlamentares, prefeitos, técnicos e representantes de órgãos de controle, encontra-se em missão oficial na Europa desde domingo (4), com foco no túnel submerso Fehmarnbelt — o maior do mundo -, em construção entre Alemanha e Dinamarca. O objetivo é compreender aspectos técnicos, sociais, ambientais e financeiros da obra e aplicar os aprendizados no túnel Santos-Guarujá, maior projeto viário do Novo PAC no Brasil.
A missão é promovida pela Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA), presidida pelo deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP), em parceria com o Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI). A delegação reúne 46 integrantes e cumpre uma série de visitas técnicas a líderes dos dois países europeus.
Com 18,1km de extensão, o Fehmarnbelt ligará as ilhas de Fehmarn, na Alemanha, e Lolland, na Dinamarca. Já o projeto brasileiro prevê 1,5km de extensão entre Santos e Guarujá, dos quais 870 metros submersos. A proposta é substituir o atual serviço de balsas, que pode levar mais de uma hora, por uma travessia de menos de cinco minutos.
Durante reunião com o secretário de Estado de Hamburgo, Jan Pörksen, a comitiva discutiu o modelo federativo adotado na construção do túnel europeu, além de temas como reordenamento urbano, tráfego logístico e impacto na população.
Para Paulo Alexandre Barbosa, a viagem tem valor estratégico: “Nossa missão é trazer o que há de mais moderno e eficiente no mundo para o Brasil. Conhecer de perto o maior túnel submerso do planeta é uma oportunidade única para aprimorarmos o projeto do túnel Santos-Guarujá e garantirmos uma obra à altura dos desafios logísticos e sociais do nosso país.”
Em Santos, no litoral paulista, o prefeito Rogério Santos destaca que o intercâmbio internacional pode contribuir para intervenções específicas em bairros como Estuário e Macuco. A construção do túnel exigirá também novas moradias, requalificação urbana e ampliação das conexões ferroviárias e rodoviárias, como a nova pista da rodovia dos Imigrantes e a malha para transporte de passageiros. “Queremos aprender com as intervenções nos entornos do túnel europeu para planejar soluções eficientes para nossa realidade. A meta é gerar empregos, desenvolver a economia e garantir qualidade de vida aos moradores”, afirmou.
Para Paulo Alexandre, a obra terá impacto direto na qualidade de vida da população e no desenvolvimento da região. “Estamos falando de uma ligação que vai beneficiar mais de dois milhões de pessoas, gerar 9 mil empregos e aumentar a competitividade do Porto de Santos, que responde por 30% do comércio exterior brasileiro. É uma intervenção histórica, e precisamos estar preparados para executá-la com excelência”, reforça.
Além de integrar as duas cidades litorâneas, o túnel também deverá aumentar a eficiência logística do porto, responsável por 60% dos embarques e desembarques internacionais do estado de São Paulo.
Além da reunião em Hamburgo, a missão técnica segue para outras agendas na Dinamarca, incluindo visitas ao canteiro de obras do túnel e encontros com autoridades locais. A troca de experiências também inclui avaliação de modelos de financiamento de grandes obras de mobilidade, especialmente para transporte de cargas e ampliação da malha ferroviária regional — inclusive para passageiros, tema em discussão com o governo do estado.
A delegação retorna ao Brasil com subsídios técnicos que devem influenciar diretamente as decisões sobre a implantação da ligação seca entre Santos e Guarujá, obra que, após décadas de expectativa, se aproxima da fase de execução com previsão de início ainda dentro do cronograma do PAC.