Irmão carregou a gestante por duas horas até um helicóptero de resgate; jararaca é responsável por 80% dos acidentes no Brasil

Uma indígena gestante foi carregada por duas horas para receber socorro após ser picada por uma jararaca. O irmão carregou a vítima nas costas até o helicóptero de resgate. A jovem, de 20 anos, está grávida de três meses.
O caso aconteceu na última quarta-feira (20) e as imagens foram divulgadas nas redes sociais pelo presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami. Conforme ele, um helicóptero aguardava para fazer o resgate da vítima até um hospital.
Contudo, o local de pouso da aeronave fica longe da comunidade. Por isso, o irmão teve que carregar a grávida. Para distribuir e aguentar o peso, ele usou um pedaço de cipó apoiado na cabeça.
"Isso é Saúde Indígena. Essa é a realidade dos Povos Yanomami. Realidade também dos Profissionais que desempenham um papel importantíssimo nas Comunidades", escreveu Yanomami.
A cena comovente foi registrada na Comunidade Índigena Yaritobi, em Roraima, na região Norte do país. Nas imagens é possível ver o índio carregando a irmã nas costas por aproximadamente duas horas enquanto outras pessoas filmavam. O resgate se tornou viral no Brasil.
Levada para o Polo-Base Surucucu, a jovem e o bebê estão bem e em observação. Ela recebeu o soro antiofídico e poderá voltar para a comunidade quando conseguir andar.
A palavra jararaca vem do tupi, união entre as palavras “yarará” e “ca” que significam respectivamente “cobra grande”. Tais serpentes podem atingir pouco mais de 1,5 metros de comprimento e são elas as responsáveis por mais de 80% dos acidentes que ocorrem com cobras peçonhentas no país. De gênero bothrops, já foram descobertas cerca de 47 espécies, sendo quase 20 delas apenas no Brasil.
Para escapar da picada e evitar que estes animais entrem em contato com as cidades e áreas mais urbanas, o número de roedores dos locais precisa ser controlado. Assim, mantendo organizadas os resíduos sólidos e lixos como entulho e lixo orgânico, possivelmente o número de predadores para a jararaca não irá aumentar.
Além disso, as recomendações incluem utilizar sapatos fechados e de cano alto em trilhas e locais com áreas de mata e nas beiras dos rios. Não colocar as mãos sem proteção em buracos na terra, tocas, cupinzeiros ou locais com folhas secas e caso encontradas as jararacas não forçar para que saiam de seus esconderijos.
Ademais, contar com a ajuda de guias e monitores ambientais que saberão o melhor local para caminhada, horário e primeiros socorros caso necessário fará com que as trilhas e caminhadas sejam sempre mais seguras, pois além de especialistas em conservação da natureza, muitas vezes as (os) guias utilizam conhecimentos tradicionais para evitar o contato com tais serpentes.
Em um artigo recente do Portal Costa Norte é desvendado os mitos e verdades da serpente peçonhenta que mais ataca no país. Confira a matéria completa aqui.