Biólogo marinho explica os riscos de retirar o animal da água, e orienta como agir ao encontrar espécies marinhas durante passeios

O aparecimento de uma estrela-do-mar-de-sete-braços (Luidia senegalensis) em uma praia de Santos chamou a atenção e também serve de alerta para um cuidado importante: animais marinhos não devem ser retirados do ambiente em que vivem.
Segundo o biólogo marinho Luís Felipe Natálio, a estrela-do-mar pode sofrer consequências mesmo quando permanece fora da água por poucos minutos. O animal pode desidratar e morrer, já que não possui estruturas de proteção contra a perda de água e não tem hábitos fora do ambiente aquático.
Existe a ideia de que estrelas-do-mar conseguem permanecer fora da água sem problemas. Segundo o especialista, isso é um mito.
A estrela do mar, bem como muitos animais aquáticos, desidrata e pode morrer se retiradas da água. Elas não têm proteção para evitar a perda de água, visto que são animais que não possuem hábitos fora da água”, explica Luís Felipe.
Além da retirada da água, o próprio manuseio pode causar danos. Não existe um nível considerado seguro para tocar estrelas-do-mar no ambiente natural, de acordo com o biólogo.
Substâncias presentes nas mãos humanas, como óleos, protetor solar e repelente de insetos, também podem prejudicar o animal.
Apesar de serem conhecidas principalmente pela aparência, as estrelas-do-mar desempenham uma função importante nos ambientes onde vivem. Elas são predadoras e ajudam a controlar populações de moluscos e mariscos, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema.
Esse controle também pode produzir efeitos indiretos sobre outros organismos. De acordo com Luís Felipe, as estrelas-do-mar podem influenciar a abundância das presas dos animais que se alimentam delas, incluindo organismos presentes em costões rochosos.
A retirada de um único animal pode ou não produzir impacto ambiental, dependendo da situação. O risco pode ser maior em locais com poucos indivíduos ou quando se trata de espécies ameaçadas de extinção.
Segundo o biólogo marinho, há muitas espécies de estrelas-do-mar que vivem naturalmente nas praias e nos costões rochosos do litoral paulista. Por isso, esses animais são relativamente comuns na região.
Encontrar uma estrela-do-mar, portanto, não significa que ela esteja necessariamente perdida ou precise ser retirada do local.
A recomendação é simples: não tocar, não manusear, não mudar o animal de lugar e não transportá-lo. A orientação vale não apenas para estrelas-do-mar, mas para qualquer animal marinho encontrado durante passeios, mergulhos ou visitas a praias, costões rochosos e piscinas naturais.
Luís Felipe explica que o melhor comportamento é observar os animais no próprio ambiente, sem interferir.
A recomendação geral é nunca manusear os animais, para a segurança da fauna e das pessoas. Ao visitar ambientes naturais, como praias, costões rochosos e piscinas naturais, o ideal é apenas apreciar os seres vivos por meio da observação”, orienta.
O desconhecimento sobre determinadas espécies pode levar a atitudes que prejudicam a fauna ou colocam os próprios banhistas em risco.
O biólogo cita como exemplo a bolacha-de-praia, que algumas pessoas acreditam possuir uma estrela em seu interior. Na realidade, a estrutura pentagonal encontrada dentro do animal faz parte de suas estruturas internas.
Também é importante evitar o contato com espécies que podem causar ferimentos, como águas-vivas e ouriços-do-mar.
A orientação se estende a mamíferos e aves marinhas encontrados mortos, debilitados e encalhados. Nesses casos, além do risco de prejudicar o animal, pode haver risco de transmissão de doenças, e o recomendado é acionar o órgão responsável pelo atendimento da fauna na região.
A retirada de animais da fauna silvestre sem autorização pode ser enquadrada na Lei de Crimes Ambientais. Segundo o biólogo, a legislação considera passível de punição matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.
Por isso, além dos possíveis danos ao animal, retirar uma espécie do ambiente natural pode trazer consequências legais.
Para quem encontra uma estrela-do-mar ou outro animal durante um passeio, a recomendação é manter distância e apenas observar. Não é necessário tocar, pegar, retirar da água, transportar ou mudar o animal de lugar para registrar uma foto. A melhor forma de apreciar a fauna é permitir que ela permaneça em seu habitat.
São animais bonitos, que não nos oferecem riscos”, destaca o biólogo.
A orientação também contribui para reduzir o estresse dos animais e preservar o equilíbrio dos ambientes costeiros.