Macho jovem apresentava sinais de desidratação e baixo peso; após receber cuidados, animal foi levado para área reservada em São Sebastião

Um lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) retornou espontaneamente ao mar, após ser acompanhado pelo Instituto Argonauta no litoral norte de São Paulo. O macho jovem foi encontrado inicialmente na costeira da Prainha, em Caraguatatuba, e passou por avaliação veterinária, hidratação, exames laboratoriais e período de observação.
O primeiro atendimento ocorreu na quarta-feira (12). Durante a avaliação, a equipe constatou que o animal estava levemente abaixo do peso e apresentava sinais de desidratação. Apesar disso, estava alerta e não tinha lesões externas ou secreções aparentes.
Naquele momento, as condições do lobo-marinho não indicavam a necessidade de retirada da praia. Por isso, a equipe optou por acompanhá-lo no próprio local, evitando uma intervenção desnecessária.
Com a subida da maré, o animal deixou a costeira e entrou no mar espontaneamente. Mais tarde, o mesmo lobo-marinho reapareceu na praia do Porto Novo, também em Caraguatatuba.
Como ainda apresentava sinais de desidratação, a equipe optou pelo manejo e pela translocação para a praia Grande, em São Sebastião, onde seria possível acompanhar o animal de perto e fazer uma avaliação mais detalhada.
O lobo-marinho recebeu hidratação e teve amostras coletadas para exames laboratoriais. Os resultados foram avaliados em conjunto com o quadro clínico e o comportamento apresentado pelo animal.
Segundo Mariana Zillio, médica-veterinária do Instituto Argonauta, a resposta aos cuidados foi positiva. Os resultados dos exames permaneceram estáveis e o animal respondeu bem à hidratação. A equipe também acompanhou sua disposição e seu comportamento durante o período de observação.
Com a evolução favorável do quadro, não houve indicação de encaminhamento para reabilitação. Depois dos cuidados, o animal permaneceu por mais um período em descanso e observação. Com a melhora do estado geral, a equipe decidiu levá-lo para a praia das Calhetas, em São Sebastião, uma área mais reservada.
No local, o lobo-marinho pôde permanecer sem interferência até retornar espontaneamente ao mar. Desde então, não houve novos registros do indivíduo pela equipe.
O lobo-marinho-subantártico ocorre principalmente em ilhas de regiões subantárticas e pode ser registrado na costa brasileira durante seus deslocamentos. Segundo o Instituto Argonauta, especialmente os indivíduos jovens podem percorrer longas distâncias e utilizar praias e costões como locais temporários de descanso.
Por isso, encontrar um lobo-marinho fora da água não significa necessariamente que o animal esteja encalhado ou precise ser resgatado. Em algumas situações, permanecer em terra durante determinado período faz parte do comportamento do animal.
Uma intervenção sem necessidade pode provocar estresse e desgaste adicionais. Por isso, a recomendação é que a população mantenha distância e acione uma equipe especializada para avaliar a situação.
O atendimento foi realizado pelo Instituto Argonauta no âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). O trabalho também conta com a parceria histórica do Aquário de Ubatuba, que atua junto ao Instituto Argonauta em ações de conservação, pesquisa, suporte ao atendimento de animais marinhos e sensibilização da sociedade para a proteção da vida marinha.
Para Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta e diretor do Aquário de Ubatuba, ocorrências como essa reforçam a importância de manter equipes preparadas e acompanhar continuamente a fauna que chega ao litoral.
Os registros realizados pelo PMP-BS ajudam a ampliar o conhecimento sobre a fauna marinha que utiliza ou passa pelo litoral, além de contribuir para a compreensão dos deslocamentos e das ameaças e pressões às quais esses animais estão expostos.
Como o animal não foi localizado novamente após retornar ao mar, o Instituto Argonauta pede atenção para possíveis novos avistamentos na região. Caso um lobo-marinho seja encontrado em uma praia ou costão, a orientação é não se aproximar, não tocar, não oferecer alimento nem água, não molhar o animal e não tentar conduzi-lo de volta ao mar.
Também é importante manter cães e outros animais domésticos afastados e evitar aglomerações. A recomendação é manter distância e acionar uma equipe de monitoramento, que poderá avaliar se o animal está apenas utilizando o local para descansar ou se necessita de atendimento.
No litoral norte, o Instituto Argonauta pode ser acionado pelos telefones (12) 3833 4863 e (12) 3834 1382 e pelo celular (12) 99785 3615 para ocorrências envolvendo animais marinhos. O instituto também disponibiliza o 0800 642 3341 para acionamento do serviço de resgate.