Espécies permitidas exigem origem legal, documentação e cuidados específicos para serem mantidas como animais de estimação

Ter uma cobra como animal de estimação pode parecer incomum, mas a prática é permitida no Brasil em situações específicas. Para isso, o animal deve ter origem legal, ser adquirido em um criadouro autorizado pelos órgãos ambientais e estar acompanhado da documentação exigida.
Segundo o Ibama, retirar serpentes da natureza ou adquirir animais sem procedência legal é crime ambiental. Além disso, manter uma cobra exige conhecimento sobre manejo, alimentação, temperatura, umidade e comportamento da espécie, já que elas possuem necessidades bastante diferentes das de cães e gatos.
Conheça algumas das espécies mais comuns encontradas em criadouros legalizados.
A jiboia (Boa constrictor) é uma das serpentes mais conhecidas entre os criadores brasileiros. Apesar do porte robusto, é considerada uma espécie de comportamento relativamente tranquilo quando criada corretamente.
Sem peçonha, captura suas presas por constrição, envolvendo o corpo ao redor delas. Dependendo da subespécie, pode ultrapassar dois metros de comprimento, por isso necessita de um terrário amplo e enriquecido.
A cobra-do-milho (Pantherophis guttatus), também conhecida como corn snake, é uma das espécies mais indicadas para quem está começando na criação de serpentes. Seu porte menor, temperamento dócil e grande variedade de cores fazem dela uma das favoritas entre criadores. Além disso, costuma adaptar-se bem ao manejo em cativeiro quando recebe os cuidados adequados.
Originária da África, a píton-real (Python regius) também pode ser encontrada em criadouros legalizados no Brasil. A espécie não possui peçonha e é conhecida pelo comportamento calmo.
Quando se sente ameaçada, costuma enrolar o corpo formando uma bola, característica que originou o nome em inglês ball python. Embora seja considerada dócil, exige controle rigoroso de temperatura e umidade no terrário para manter a saúde.
A falsa-coral reúne diferentes espécies que apresentam coloração semelhante à da coral verdadeira. Apesar da aparência chamativa, essas serpentes não possuem peçonha de importância médica e podem ser mantidas legalmente quando provenientes de criadouros autorizados.
Sua coloração vibrante exige atenção redobrada, pois muitas pessoas a confundem com a coral verdadeira encontrada na natureza.
Além dessas espécies, alguns criadouros também comercializam serpentes exóticas legalizadas, como a cobra-leite (Lampropeltis triangulum) e outras espécies autorizadas pelos órgãos competentes.
Independentemente da espécie, a compra deve ser feita apenas em estabelecimentos regularizados, com nota fiscal e documentação que comprove a origem do animal.
Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, serpentes exigem cuidados específicos. É necessário manter um terrário compatível com o tamanho do animal, controlar temperatura e umidade, oferecer alimentação adequada e contar com acompanhamento de um médico-veterinário especializado em animais silvestres ou exóticos.
Esses animais também precisam de um ambiente seguro para evitar fugas e reduzir o estresse, fatores que podem comprometer seu bem-estar.
Segundo o Ibama, nenhuma serpente encontrada na natureza deve ser capturada para criação doméstica. Além de configurar crime ambiental, essa prática coloca em risco tanto o animal quanto as pessoas.
Quem deseja ter uma cobra como pet deve procurar exclusivamente criadouros autorizados, garantindo que o exemplar tenha origem legal e que toda a documentação esteja regularizada.