CIÊNCIA

Cientistas descobrem nova espécie de sucuri gigante na Amazônia

Estudo revelou que a sucuri-verde se divide em duas espécies; a nova anaconda-verde-do-norte foi identificada após análise genética

Cientistas descobrem nova espécie de sucuri gigante na Amazônia
Nova espécie recebeu o nome científico de Eunectes akayima e foi diferenciada da sucuri-verde conhecida - JanRehschuh/Wikimedia Commons


A ciência ampliou o conhecimento sobre uma das serpentes mais impressionantes do planeta. Um estudo publicado na revista científica Diversity revelou que a tradicional sucuri-verde (Eunectes murinus), considerada a maior cobra do mundo em massa corporal, na verdade não é a única espécie de anaconda-verde existente.

Pesquisadores identificaram uma segunda espécie, batizada de Eunectes akayima, conhecida popularmente como anaconda-verde-do-norte.

A descoberta resulta de anos de pesquisas com populações de sucuris distribuídas por diferentes regiões da América do Sul. Os cientistas coletaram amostras de tecido dos animais e analisaram o DNA mitocondrial, encontrando uma diferença genética de cerca de 5,5% entre as serpentes do norte e do sul do continente.



Esse índice foi considerado suficiente para reconhecer que se trata de espécies distintas. Segundo o estudo, as duas linhagens seguiram caminhos evolutivos diferentes há aproximadamente 10 milhões de anos, período marcado por grandes mudanças geológicas na América do Sul.

Para destacar a importância da descoberta, os pesquisadores apontam que essa diferença genética é superior à observada entre humanos e chimpanzés, estimada em cerca de 2%.

Diferenças quase imperceptíveis

Apesar da distância genética, distinguir as duas espécies apenas pela aparência não é uma tarefa simples. Ambas apresentam corpo robusto, coloração semelhante e podem alcançar mais de sete metros de comprimento, além de ultrapassar os 200 quilos.



Os pesquisadores identificaram pequenas diferenças no padrão das manchas da pele e em características da estrutura óssea, mas ressaltam que essas variações são discretas. Justamente por isso, durante muitos anos, acreditava-se que todas pertenciam à mesma espécie.

Especialistas também destacam que novas pesquisas, com mais exemplares e análises de genes nucleares, ainda são necessárias para compreender melhor os limites de distribuição entre as duas espécies.

Onde vive a nova sucuri

A Eunectes akayima ocorre principalmente nas bacias hidrográficas do norte da América do Sul. Há registros da espécie no Equador, Colômbia, Venezuela, Trinidad, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e na porção norte da Amazônia.



Já a Eunectes murinus, agora chamada também de anaconda-verde-do-sul, permanece distribuída principalmente pelo Brasil, Peru, Bolívia e parte da Guiana Francesa. No entanto, os pesquisadores afirmam que ainda não está completamente definido onde termina a área de ocorrência de uma espécie e começa a da outra.

A nova espécie prefere ambientes aquáticos de águas calmas, como lagoas, igarapés e áreas alagadas, onde permanece parcialmente submersa para se camuflar e surpreender as presas.

Gigante, mas sem veneno

Muito presente na cultura popular e frequentemente retratada como uma predadora implacável em filmes, a sucuri desperta medo pelo tamanho impressionante. No entanto, nenhuma espécie de sucuri é venenosa.



Essas serpentes capturam suas presas por constrição. Elas enrolam o corpo ao redor do animal e apertam progressivamente até impedir sua respiração. Depois, engolem a presa inteira.

A alimentação das sucuris inclui peixes, répteis, anfíbios, aves e mamíferos. As fêmeas costumam ser maiores do que os machos e podem ultrapassar sete metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos, características que fazem da sucuri-verde a maior serpente do mundo em massa corporal.

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