Estudos mostram que a predisposição genética varia conforme a cor dos olhos e explicam como os felinos se adaptam à deficiência auditiva

Os gatos brancos de olhos azuis estão entre os felinos que mais despertam curiosidade entre os tutores. Além da aparência marcante, eles carregam uma característica genética que pode aumentar a predisposição à surdez congênita. Apesar disso, nem todo gato branco nasce surdo, e o risco varia principalmente de acordo com a cor dos olhos.
Segundo estudos sobre a genética felina e especialistas em comportamento animal, a condição está relacionada ao gene dominante W, responsável pela pelagem totalmente branca. Esse gene interfere no desenvolvimento dos melanócitos, células que produzem melanina e participam da formação de estruturas importantes do ouvido interno.
Quando o gene W se manifesta de forma mais intensa, aumenta a probabilidade de o animal apresentar olhos azuis e alterações na audição. A deficiência ocorre porque há uma degeneração da cóclea, estrutura localizada no ouvido interno responsável por transformar os sons em impulsos nervosos enviados ao cérebro.

Predisposição genética varia conforme a coloração dos olhos.
Estudos apontam que gatos totalmente brancos, com dois olhos azuis, têm entre 65% e 85% de probabilidade de nascer com surdez congênita.
Nos felinos que possuem apenas um olho azul, o risco diminui para 30% a 40%. Nesses casos, é comum que a perda auditiva seja unilateral, afetando apenas o ouvido localizado no mesmo lado do olho azul.
Já gatos brancos com olhos verdes, amarelos ou de outras cores apresentam uma probabilidade menor, estimada entre 17% e 22%. Outra curiosidade observada por pesquisadores é que gatos brancos de pelo longo apresentam maior incidência de olhos azuis e de surdez bilateral quando comparados aos de pelo curto.
Apesar dessa predisposição, muitos gatos brancos mantêm a audição preservada durante toda a vida.

Embora a associação entre pelagem branca e deficiência auditiva seja conhecida, especialistas reforçam que nem todo gato branco apresenta perda de audição.
A surdez congênita representa apenas uma predisposição genética. Inclusive, gatos brancos com olhos de outras cores podem ouvir normalmente, assim como animais de olhos azuis também podem nascer com audição preservada.
Além disso, a surdez não ocorre exclusivamente por fatores genéticos. Infecções no ouvido, doenças neurológicas, acidentes e o envelhecimento também podem comprometer a audição de felinos de qualquer cor.

Os filhotes nascem naturalmente com os olhos e os ouvidos fechados. O canal auditivo começa a se abrir por volta do vigésimo dia de vida, e somente cerca de um mês após o nascimento eles passam a ouvir completamente os sons do ambiente.
Por isso, identificar a surdez nos primeiros dias é praticamente impossível. Com o crescimento, alguns comportamentos podem indicar perda auditiva. Entre eles estão a ausência de reação a sons intensos, dificuldade para localizar a origem de barulhos e miados mais altos que o habitual, já que o animal não consegue ouvir a própria voz.
Os tutores também podem fazer pequenos testes em casa, como produzir um ruído fora do campo de visão do gato, por exemplo deixando cair uma bolinha de papel ou ligando um eletrodoméstico barulhento, e observar se ele movimenta as orelhas ou procura a origem do som.
No entanto, o diagnóstico definitivo deve ser feito por um médico-veterinário. O exame mais indicado é o BAER (resposta auditiva evocada do tronco encefálico), que utiliza eletrodos para medir a atividade elétrica do ouvido e do cérebro diante de estímulos sonoros.

A surdez congênita não impede que um gato tenha uma vida saudável. Os felinos são animais extremamente adaptáveis e passam a utilizar ainda mais a visão, o olfato e a percepção das vibrações para compreender o ambiente ao seu redor.
Por esse motivo, especialistas recomendam que gatos surdos permaneçam dentro de casa. Como não conseguem ouvir carros, cães, outros animais ou situações de risco, ficam mais vulneráveis quando têm acesso à rua.
Outra orientação é evitar aproximar-se repentinamente do animal. O ideal é que o tutor permita que ele perceba sua presença por meio da visão ou de pequenas vibrações antes de tocá-lo, reduzindo sustos.
Também é importante investir em enriquecimento ambiental, com nichos, prateleiras, túneis, caixas de papelão e brinquedos interativos, estimulando os demais sentidos do felino e proporcionando mais segurança e bem-estar.
Para gatos com surdez total, especialistas também recomendam o uso de identificação na coleira com telefone do tutor e, quando possível, microchip para facilitar a localização caso o animal se perca.
Como a surdez congênita está diretamente ligada ao gene W e pode ser transmitida aos descendentes, especialistas não recomendam a reprodução de gatos totalmente brancos, principalmente quando há histórico de deficiência auditiva.
Mesmo convivendo com essa condição, os felinos conseguem levar uma vida longa e saudável quando vivem em um ambiente seguro, recebem acompanhamento veterinário e têm seus demais sentidos estimulados. A deficiência auditiva, por si só, não impede que o animal tenha qualidade de vida nem afeta sua capacidade de desenvolver vínculos com os tutores.
