No quadro É Pet, o especialista em animais silvestres explica o funcionamento da audição do réptil e explica curiosidade biológica

Muitas pessoas acreditam que as serpentes são surdas, por não possuírem orelhas externas visíveis. No entanto, um estudo científico recente comprovou que a audição desses répteis capta ruídos de baixa frequência, o que inclui a voz humana.
Para explicar o mito, o médico-veterinário especializado em animais silvestres, Danilo Sato, trouxe o tema para o quadro É Pet?, da TV Cultura Litoral. Segundo o apresentador, a ausência do pavilhão auricular gera essa confusão comum entre os admiradores da espécie.
Durante a explicação, Sato comparou a estrutura da jiboia com a de uma iguana. Enquanto o lagarto possui uma membrana timpânica evidente, a cobra tem as escamas cobrindo a região auditiva, o que camufla o canal do som.
Para comprovar a teoria, uma pesquisa universitária isolou diferentes espécies em ambientes fechados. Os cientistas testaram as reações a correntes de ar e vibrações sonoras e notaram que as cobras respondem a frequências de 80 a 250 Hertz (Hz). Como a voz humana atinge a média de 150 a 200 Hz, o animal consegue ouvir a conversa no ambiente.
O veterinário ressalta, contudo, que o réptil apenas percebe o som, mas não possui a capacidade de identificar o tutor especificamente pela voz.
Com a quebra desse mito, a criação do animal em cativeiro exige mudanças práticas. Sato deixa um aviso rigoroso para quem mantém serpentes legalizadas como animais de estimação.
Os tutores não devem posicionar os terrários perto de fontes de ruído contínuo, como televisões e caixas de som. O barulho provoca alto nível de estresse no réptil e compromete o bem-estar do pet de forma irreversível a longo prazo.
*Com informações do apresentador e médico-veterinário Danilo Sato, para o quadro É Pet?, da TV Cultura Litoral.