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Picada de cobra, aranha ou escorpião? Veja o que fazer e quais atitudes podem piorar o quadro

Secretaria da Saúde de Sáo Paulo orienta lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico o o mais rápido possível

Aranha-marrom, Escorpião e  Cascavel
Aranhas, escorpiões e serpentes estão entre os animais peçonhentos que mais levam vítimas aos serviços de saúde - Divulgação/Governo de São Paulo/Comunicação Butantan


Acidentes com animais peçonhentos, como aranhas, escorpiões e serpentes, podem causar envenenamentos e exigem atendimento médico rápido. A orientação da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) é procurar assistência mesmo quando a vítima não conseguiu identificar ou sequer viu o animal responsável pela picada.

O estado possui 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs) preparados para atender casos de envenenamento e realizar o tratamento adequado, incluindo a aplicação de soros específicos quando necessário.

Em caso de acidente, o primeiro cuidado indicado é lavar o local da picada com água e sabão e procurar atendimento médico. Também é importante evitar medidas caseiras que podem agravar a lesão.

O que fazer após uma picada?

Depois de um acidente com qualquer animal peçonhento, a recomendação é lavar o local atingido com água e sabão e buscar atendimento médico.

Sempre que possível, a vítima deve evitar andar ou correr. A orientação é permanecer deitada e manter o membro picado elevado.

O tratamento eficaz para o envenenamento é feito com soro antiveneno, específico para cada tipo de animal. No caso de serpentes, é utilizado o soro antiofídico correspondente ao gênero da cobra. Quanto mais rapidamente a soroterapia for realizada, menor a possibilidade de complicações.

A SES-SP disponibiliza um mapa interativo com a localização dos 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno espalhados pelo estado.

O que não fazer em caso de picada?

Algumas medidas populares não são recomendadas e podem aumentar o risco de complicações.

Não se deve:

  • fazer torniquetes ou garrotes;
  • realizar incisões no local da picada;
  • aplicar folhas, pó de café, couro de cobra ou outras substâncias sobre a lesão.

Segundo a orientação apresentada pela Secretaria da Saúde, essas práticas podem aumentar o risco de infecções, necrose e até amputação de um membro.

Aranhas: quais espécies exigem mais atenção?

Embora existam milhares de espécies de aranhas no Brasil, somente três gêneros são considerados de importância médica por poderem provocar envenenamentos graves: viúva-negra (Latrodectus), armadeira (Phoneutria) e aranha-marrom (Loxosceles).

A viúva-negra provoca acidentes raramente e não requer utilização de soro. Já a armadeira e a aranha-marrom somam mais de 10 mil acidentes por ano.

Em caso de suspeita ou confirmação de picada, a recomendação é procurar um serviço de saúde. Se for possível fazer isso com segurança, uma foto nítida da aranha ou o próprio animal pode ajudar na identificação.

A maioria das aranhas não causa impactos significativos à saúde humana. Mesmo assim, picadas podem provocar dor, inchaço e vermelhidão, sintomas que normalmente desaparecem com medicamentos para dor e alergia.

Quando a lesão persiste, piora ou não responde aos tratamentos convencionais, é necessário procurar atendimento médico o quanto antes.

Aranha-armadeira

Conhecida também como aranha-das-bananas, a Phoneutria pode ser encontrada em plantações de bananas e, nas cidades, dentro de roupeiros e armários.

Ela recebe o nome de armadeira porque, quando se sente ameaçada, pode levantar as pernas anteriores e assumir uma posição de defesa. Se necessário, pode pular em direção àquilo que considera uma ameaça.

Aranha-marrom

A Loxosceles é pequena, pode chegar a 4 centímetros e costuma permanecer escondida em móveis, roupas, sapatos e lençóis. A picada ocorre quando o animal é comprimido.

Inicialmente, a lesão pode ser confundida com uma picada comum de inseto. Os sintomas podem levar horas para evoluir, com dor que aumenta ao longo do tempo e alteração na coloração da pele.

Em alguns casos, pode ocorrer necrose. Quadros graves podem provocar síndrome hemolítica, caracterizada pela quebra dos glóbulos vermelhos, com sinais como palidez, pele amarelada e urina escura.

Escorpiões podem aparecer dentro de casa

Os escorpiões se adaptaram ao ambiente urbano e encontram nas cidades alimento, água e abrigo. Locais escuros são usados como esconderijo, e os animais podem entrar nas residências por ralos, calhas, tubulações e caixas de fiação sem vedação.

Nem mesmo os andares mais altos de prédios estão completamente livres do animal, que consegue escalar superfícies irregulares.

Entre as espécies mais comuns em São Paulo estão o escorpião-amarelo, o escorpião-marrom e o escorpião-amarelo-do-nordeste.

O escorpião-amarelo pode chegar a 7 centímetros e é apontado como responsável pelos acidentes de maior gravidade, podendo levar à morte. O escorpião-marrom também pode medir até 7 centímetros e é considerado perigoso. Já o escorpião-amarelo-do-nordeste mede entre 5 e 7 centímetros e também é considerado perigoso devido à potência do veneno.

Encontrou um escorpião? Saiba como agir

A recomendação é tentar capturar o animal somente se a pessoa se sentir segura e estiver devidamente protegida.

Uma das formas indicadas é utilizar um objeto longo e fino, de superfície lisa, mantendo pelo menos 30 centímetros de distância entre a mão e a ponta do objeto. O escorpião pode ser conduzido até um frasco plástico fundo, de superfície lisa e com tampa.

O recipiente deve ser de plástico, pois potes de vidro podem quebrar.

Outra possibilidade envolve o uso de luvas de vaqueta ou de raspa de couro com proteção para o antebraço, camisa de manga longa e calça comprida ajustada ao tornozelo ou colocada dentro da bota.

A captura nunca deve ser feita com as mãos, mesmo utilizando luvas comuns. Também não é recomendado fazer a captura sozinho. Outra pessoa deve estar por perto para ajudar em caso de acidente.

Se não houver segurança para capturar o escorpião, a orientação é entrar em contato com a prefeitura do município e comunicar o aparecimento do animal.

Também não é indicado utilizar inseticidas ou produtos químicos para eliminar o escorpião, pois seria necessária uma grande quantidade do produto, o que poderia prejudicar a saúde das pessoas próximas.

Cobras: não toque no animal

Serpentes podem aparecer em áreas urbanas durante períodos de chuva, principalmente quando inundações atingem seus habitats e fazem com que procurem locais mais secos.

Ao encontrar uma cobra, a principal orientação é não tocar no animal e procurar ajuda.

A população pode acionar a Polícia Ambiental, o Centro de Controle de Zoonoses, o Corpo de Bombeiros ou a Secretaria Municipal de Saúde. Os órgãos responsáveis avaliam como proceder com segurança tanto para as pessoas quanto para o animal.

Quando a serpente estiver dentro de uma residência e representar perigo aos moradores, sem possibilidade de afastamento, o material orienta que, em último caso, seja possível tentar colocá-la para fora com o auxílio de uma vassoura.

Como reconhecer algumas serpentes peçonhentas?

A identificação da serpente responsável pelo acidente é importante para agilizar o diagnóstico e o tratamento, além de contribuir para a utilização correta do antiveneno quando necessário.

Cascavel

As cascavéis são encontradas principalmente em regiões secas e abertas. Não costumam ser agressivas e, em geral, os acidentes acontecem quando o animal se sente ameaçado.

A principal característica é o chocalho na ponta da cauda, formado por vários anéis. O veneno possui alta letalidade e pode provocar falência renal.

Jararaca

As jararacas são responsáveis pelo maior número de acidentes com serpentes no Brasil. A camuflagem, que se aproxima da aparência do solo onde vivem, dificulta a identificação.

A espécie ocorre principalmente em matas, mas apresenta capacidade de adaptação a áreas urbanas e regiões próximas. Também possui comportamento de disparar botes quando se sente ameaçada.

Coral

As corais apresentam baixo índice de acidentes, apesar de serem consideradas as serpentes mais venenosas do Brasil.

A coloração é uma de suas características mais marcantes, com anéis que podem apresentar cores como preto, vermelho, branco e amarelo.

Um alerta importante é que não é possível diferenciar com segurança corais verdadeiras e falsas apenas pela sequência das cores dos anéis, já que existem serpentes que imitam diferentes padrões.

Surucucu

A surucucu é considerada a maior serpente peçonhenta das Américas e pode ultrapassar quatro metros de comprimento.

Vive em matas primárias e pode apresentar comportamento agressivo. É visualmente parecida com a cascavel, mas não possui chocalho. Também pode vibrar a cauda contra o chão, produzindo um som semelhante ao da cascavel.

Onde buscar atendimento?

Em caso de picada, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, mesmo que a vítima não tenha visto o animal.

Além dos Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno, existem hospitais de referência para atendimento de pessoas vítimas de acidentes com animais peçonhentos.

O Instituto Butantan, em São Paulo, possui o Hospital Vital Brazil, especializado no atendimento a envenenamentos por animais peçonhentos e localizado dentro do Parque da Ciência.

A lista de hospitais de referência em todo o país pode ser consultada no portal do Ministério da Saúde.

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