Aparecimento de um escorpião exige o isolamento seguro do animal; espécie causou mais de 48 mil acidentes no estado de São Paulo

Encontrar um escorpião dentro de casa pode ser assustador, mas é necessário ter calma para evitar acidentes graves. No litoral de São Paulo, a espécie com maior incidência é o escorpião amarelo (Tityus serrulatus) e para garantir a segurança dos moradores, o recomendado é seguir medidas específicas de resgate, além de cuidados com o ambiente.
O primeiro passo é nunca tocar ou tentar matar o escorpião com as mãos ou utensílios domésticos. O apresentador do quadro 'É Pet?', da TV Cultura Litoral, Danilo Sato, orienta sobre as condutas mais seguras ao encontrar o animal:
Em caso de picada, a vítima precisa procurar o pronto-socorro de forma imediata, mesmo se a dor parecer leve. Crianças, idosos e pessoas alérgicas correm maior risco de complicações severas.
A indicação médica é lavar o local com água corrente, sem esfregar. O uso de álcool, pomadas, torniquetes e remédios caseiros é totalmente contraindicado. Em algumas situações, a equipe de saúde aplica o soro antiescorpiônico para controlar a intoxicação.
Para manter os escorpiões longe das residências, o indicado é vedar frestas em portas, janelas, ralos e rodapés. Também é fundamental evitar o acúmulo de entulhos, lixo e restos de madeira, que servem de esconderijo. Nos quintais e jardins, a limpeza regular previne o aparecimento de baratas, presa principal do escorpião. Roupas e calçados devem ser sacudidos antes do uso.
De acordo com o quadro 'É Pet?', o escorpião amarelo lidera as ocorrências no estado de São Paulo, com registro de 48.651 picadas no ano de 2023, o que corresponde a 24% dos casos nacionais, além de um óbito confirmado.
Na Baixada Santista, ainda conforme Danilo Sato, o número de ataques permanece baixo. Entre 2024 e 2025, houve o registro de cinco casos na região, quatro deles apenas em 2024, sem mortes.
O aumento geral das aparições urbanas ocorre por causa de fatores como a ocupação desordenada, acúmulo de lixo, mudanças climáticas com verões prolongados e ausência de predadores naturais nas cidades.
Apesar dos riscos, o veneno do escorpião atrai o interesse da ciência. Pesquisadores estudam a substância para fins terapêuticos e já descobriram elementos com ações antimicrobianas e de regulação da pressão arterial, com potencial para tratar doenças no futuro.
Outro fato que chama a atenção envolve a reprodução das fêmeas do escorpião amarelo. Elas se reproduzem por meio da partenogênese, processo que dispensa o macho e gera clones. Após o nascimento, os filhotes ficam abrigados nas costas da mãe até atingirem a independência.
*Com informações do apresentador e veterinário Danilo Sato, para o quadro 'É Pet?', da TV Cultura Litoral.