Espécie pode reproduzir alguns sons e palavras, mas o resultado depende do comportamento e do vínculo com o tutor

Quem pensa em ter um periquito-rico como animal de estimação costuma fazer a mesma pergunta: afinal, essa ave consegue aprender a falar? A resposta é que alguns indivíduos podem reproduzir palavras e imitar sons, mas essa habilidade varia de acordo com o comportamento de cada ave, o tempo de convivência com o tutor e a forma como ela é estimulada.
Recentemente, o médico-veterinário Danilo Sato, do quadro É Pet?, da TV Cultura Litoral, explicou que o periquito-rico está entre as espécies que podem ser criadas legalmente como pets, desde que sejam adquiridas em criadouros autorizados e com toda a documentação exigida pelos órgãos ambientais. Além do porte pequeno e do temperamento dócil, a espécie desperta curiosidade pela capacidade de reproduzir alguns sons.
Segundo informações do WikiAves, o periquito-rico (Brotogeris tirica) pertence à família dos psitacídeos, a mesma dos papagaios e das araras. A ave mede cerca de 21 centímetros, é típica da Mata Atlântica e costuma viver em bandos, mantendo intensa comunicação por meio de vocalizações. A espécie também é conhecida por imitar o canto de outras aves, característica que demonstra sua facilidade para aprender novos sons.
Embora alguns exemplares consigam reproduzir palavras, não existe uma fórmula capaz de fazer qualquer periquito-rico falar. O aprendizado depende da personalidade da ave e deve ocorrer de forma natural, sempre respeitando o bem-estar do animal.
Especialistas em comportamento de psitacídeos recomendam que o tutor fortaleça o vínculo com a ave antes mesmo de iniciar qualquer treinamento. Conversar diariamente, oferecer atenção e criar um ambiente tranquilo são atitudes que ajudam o periquito-rico a ganhar confiança e aumentam as chances de ele imitar sons.
Outro ponto importante é escolher o momento certo para as interações. O ideal é que a ave esteja calma e concentrada, sem distrações. Muitos criadores costumam aproveitar os primeiros momentos da manhã, quando o animal está mais atento e receptivo.
Assim como outras aves da família dos psitacídeos, o aprendizado ocorre principalmente pela repetição. A recomendação é começar com palavras curtas e simples, pronunciadas sempre da mesma forma e com um tom de voz calmo.
O próprio nome da ave costuma ser uma boa opção para iniciar o treinamento, já que é uma palavra repetida com frequência no dia a dia. As sessões não precisam ser longas. Alguns minutos de interação diária costumam ser mais eficientes do que treinamentos prolongados, que podem cansar ou desestimular o animal.
Quando o periquito demonstrar qualquer tentativa de reproduzir um som, o tutor pode utilizar o reforço positivo, oferecendo petiscos apropriados para a espécie ou demonstrando carinho. Essa associação ajuda a tornar a experiência agradável para a ave.
Apesar da fama dos psitacídeos pela capacidade de imitar sons, é importante entender que nem todos os indivíduos desenvolverão essa habilidade. Alguns periquitos-ricos conseguem reproduzir palavras isoladas, enquanto outros apenas imitam assobios, sons do ambiente ou vocalizações de outras aves.
Há também exemplares que nunca demonstram interesse em repetir qualquer palavra, o que é considerado normal. De acordo com o WikiAves, os machos costumam apresentar maior capacidade de imitar diferentes sons, embora isso não seja uma regra para todos os indivíduos da espécie.
Mais importante do que ensinar uma ave a falar é garantir que ela tenha qualidade de vida. O periquito-rico precisa de alimentação balanceada, espaço adequado para se movimentar, brinquedos que estimulem o comportamento natural, enriquecimento ambiental e acompanhamento periódico com um médico-veterinário especializado em animais silvestres.
Também é fundamental lembrar que essas aves podem viver, em média, cerca de 20 anos. Antes de adquirir um exemplar, o futuro tutor deve considerar o compromisso de longo prazo e optar sempre por animais provenientes de criadouros legalizados.