TEMPORADA DE PASSAGEM

Litoral norte já registra mais 160 ocorrências de pinguins-de-magalhães em 2024

Segundo Instituto Argonauta, passagem de pinguins-de-magalhães pela região vai de junho a setembro; órgão orienta como proceder ao encontrar animais


Redação
Publicado em 27/07/2024, às 14h58 - Atualizado às 15h17

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Instituto Argonauta já registrou 166 ocorrências relacionadas a pinguins-de-magalhães no litoral norte - Divulgação/Instituto Argonauta
Instituto Argonauta já registrou 166 ocorrências relacionadas a pinguins-de-magalhães no litoral norte - Divulgação/Instituto Argonauta


Um levantamento divulgado pelo Instituto Argonauta, neste sábado (27), aponta que mais de 160 pinguins-de-magalhães foram registrados no litoral norte, neste período de outono-inverno. Segundo o instituto, a época de passagem pela região é entre junho e setembro. Os números foram contabilizados pelas equipes de monitoramento, resgate e reabilitação do órgão, no âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

Até esta sexta-feira (26), foram atendidos 166 acionamentos e resgates da espécie, dos quais 121 animais já foram encontrados mortos. Os outros 45 foram resgatados vivos e encaminhados para o Centro de Reabilitação e Despetrolização do Instituto Argonauta, em Ubatuba, e para a Unidade de Estabilização, em São Sebastião. Dos animais resgatados vivos, atualmente nove permanecem em reabilitação.

Pinguim-de-magalhães
Pinguim-de-magalhães resgatado pelo Instituto Argonauta - Divulgação/Instituto Argonauta



O oceanólogo Hugo Gallo Neto, diretor do Aquário de Ubatuba e presidente do Instituto Argonauta, aponta que entre os desafios encontrados pelas equipes estão: os impactos causados pelo ser humano, como as mudanças climáticas e a diminuição de alimentos disponíveis na natureza. Além disso, os pinguins enfrentam também a poluição marinha e a possibilidade de ingestão de lixo, contribuindo para a mortalidade de alguns desses animais, mesmo após o resgate. 

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Durante o ano passado, foram registradas 426 ocorrências. Em 2022, o número foi bem menor: 166. Por isso, o órgão não consegue estimar quantos pinguins devem ser registrados no período de passagem pelo litoral norte. 



Veja também: Você sabe o que fazer ao encontrar um pinguim na praia?

Orientações:

Ao encontrar um pinguim, vivo ou morto, é recomendado que siga as seguintes instruções:

  • Ligue para o Instituto Argonauta: entre em contato imediatamente com o PMPBS/Instituto Argonauta pelo telefone 0800 642 3341;
  • Não toque no animal: mantenha distância para evitar estresse, ou ferimentos adicionais, e não manuseie carcaças; 
  • Proteja o pinguim: se possível, improvise uma sombra e afaste animais domésticos para mantê-lo seguro até a chegada da equipe.

Atendimentos

O Instituto Argonauta atende as ocorrências e reabilita pinguins desde o ano de 2012, em continuidade ao trabalho de reabilitação realizado pelo Aquário de Ubatuba desde 1996. Até hoje, foram atendidas, na região, mais de 3 mil ocorrências de pinguins-de-magalhães, entre animais vivos e mortos. 



Os pinguins-de-magalhães 

O pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) é uma ave característica de águas temperadas. Vive nas águas dos oceanos Atlântico e Pacífico Sul, nas costas da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas. Sob a influência das correntes frias (maio a outubro) chega à costa brasileira do Rio Grande do Sul ao Nordeste, principalmente os juvenis, imaturos. É uma ave marinha adaptada a vida na água, na qual passa a maior parte do tempo. 

Desloca-se próximo à costa, com águas menos profundas e maior disponibilidade de alimento. Pode nadar a 36km/h para fugir de seus predadores. Mede de 65cm a 75cm, com peso de 4,5kg a 6 kg. Os adultos apresentam uma coloração da plumagem, que os diferencia dos imaturos com menos  de 1 ano de vida, com o dorso, parte do rosto e as asas pretas, e o ventre branco. Atualmente seu status de conservação é considerado uma espécie pouco preocupante, pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, porém, já se registra declínio populacional nos últimos anos. 

Instituto Argonauta 

O Instituto Argonauta foi fundado em 1998 pela Diretoria do Aquário de Ubatuba e reconhecido em 2007 como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). O instituto foca na conservação do meio ambiente, em especial dos ecossistemas costeiros e marinhos. Para isso, apoia e desenvolve projetos de pesquisa, resgate e reabilitação da fauna marinha, educação ambiental e resíduos sólidos no ambiente marinho, entre outras atividades. O Instituto Argonauta também é uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). 



PMP-BS 

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, por meio do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos. O projeto é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. 

O Instituto Argonauta monitora o Trecho 10, compreendido entre São Sebastião e Ubatuba. Para mais informações sobre o PMP-BS, acesse  o site do projeto.

A base do Instituto fica na Travessa Baitacas, nº 20, bairro Perequê-Açu, em Ubatuba, no litoral norte.



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