Terreno no Santa Maria, na Zona Noroeste, passa por intervenção ecológica; primeira etapa do projeto deve terminar na primeira quinzena de setembro

Quem passa pela rua Pastor João Wesley, no bairro Santa Maria, na Zona Noroeste de Santos, litoral de São Paulo, nota alterações na paisagem. O local, que por anos registrou descarte irregular de resíduos da construção civil, estacionamento indevido de caminhões e degradação ambiental, passa por processo de recuperação ecológica, valorização paisagística e uso comunitário.
O terreno da CPFL recebe intervenções de recuperação ambiental e requalificação paisagística para integração ao projeto Parque dos Mangues. A iniciativa resulta da atuação da empresa de energia com o apoio e a orientação técnica da Secretaria das Prefeituras Regionais (Sepref).
O objetivo é a transformação do antigo passivo ambiental em espaço de convivência. A previsão indica a conclusão da primeira etapa dos trabalhos na primeira quinzena de setembro.
A obra adota um modelo de recuperação ambiental aplicado em diferentes partes do mundo. Em vez da retirada integral dos resíduos, a solução técnica prevê a estabilização e o confinamento controlado do material. Os trabalhos compreendem a estabilização geotécnica do terreno, a conformação dos taludes, a revegetação e a implantação de cobertura vegetal permanente.
O arquiteto e assessor técnico da Sepref, Alessandro Lopes, responsável pelo projeto, explicou os benefícios da escolha técnica:
É uma alternativa que reduz significativamente os impactos ambientais que seriam gerados pela remoção total dos resíduos, como o intenso tráfego de caminhões, o aumento das emissões de carbono e a sobrecarga do sistema viário”.
A proposta alinha-se à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2010), à Resolução Conama nº 307, que trata da gestão de resíduos da construção civil, e aos princípios do Estatuto da Cidade.
Atualmente, os taludes gramados substituem as superfícies degradadas. A intervenção assegura estabilidade ao terreno, reduz processos erosivos, minimiza a dispersão de poeira e melhora a integração visual da área com o entorno.
Durante as obras, equipes identificaram a presença irregular de bovinos de grande porte. O proprietário recebeu orientações sobre a impossibilidade de manutenção dos animais no local. Em caso de reincidência, os animais serão apreendidos conforme os procedimentos legais vigentes.
O projeto prevê a ampliação das calçadas, pista de caminhada, áreas contemplativas e espaços destinados à convivência comunitária, com respeito às restrições de uso sob a faixa de servidão da linha de transmissão.
Em etapa futura, o espaço poderá receber árvores frutíferas nativas, viveiros de mudas, hortas comunitárias e iniciativas de educação ambiental. A expectativa é que o local se torne um ambiente favorável para polinizadores, como abelhas e aves.
Alessandro Lopes concluiu que a transformação da chamada Base 8 demonstra o papel relevante de áreas com restrições de ocupação para o desenvolvimento sustentável:
Onde antes havia degradação, começa a surgir uma nova paisagem. E onde muitos viam apenas um terreno abandonado, desponta um espaço com potencial para integrar natureza, educação ambiental e convivência comunitária”.
Segue a lista com as áreas do projeto Parque dos Mangues: