Estudo aponta que fabricantes do país ganharam espaço nas trocas no terceiro trimestre de 2026; Chery Tiggo 7 lidera em rentabilidade nos seminovos
Redação
Publicado em 17/10/2026, às 10h27

As montadoras chinesas ampliaram sua participação no mercado brasileiro de veículos usados e seminovos em setembro e passaram a disputar consumidores que antes optavam por marcas tradicionais, como Jeep, Volkswagen, Hyundai e Chevrolet.
O movimento é apontado pela edição de outubro do Estudo MegaDealer de Performance de Veículos Usados (PVU), elaborado com base em dados da plataforma Auto Avaliar.
No terceiro trimestre de 2026, a Jeep foi a fabricante tradicional mais afetada proporcionalmente pela migração de consumidores para marcas chinesas.
Segundo o levantamento, 23.993 unidades deixaram de ser destinadas à montadora nesse movimento, volume equivalente a 46% dos emplacamentos potenciais considerados na análise.
A Volkswagen aparece na sequência, com 22.463 unidades, o equivalente a 15% do volume potencial. Já a Hyundai registrou uma perda estimada de 19.003 unidades, correspondente a 30%, enquanto a Chevrolet teve 18.421 unidades afetadas, ou 18% do volume potencial.
Os números indicam que a concorrência das fabricantes chinesas não se restringe à venda de veículos novos. A mudança também influencia as decisões de consumidores na hora de trocar de carro, afetando o mercado de seminovos e a demanda nas concessionárias.
Outro dado do estudo reforça a transformação do setor: 17,4% das trocas consideradas na análise já acontecem entre duas marcas chinesas.
O resultado sugere que essas fabricantes começam a disputar consumidores entre si, em vez de concentrar sua concorrência nas montadoras tradicionais.
“Esse é um movimento que já havíamos previsto, em que as fabricantes chinesas não vão mais precisar disputar o mercado com as montadoras tradicionais, se consolidando na preferência dos brasileiros e começando a concorrer entre si na renovação dos veículos”, afirma Fábio Braga, Country Manager da MegaDealer.
Braga também destaca que as perdas identificadas pelo levantamento já podem ser mensuradas e apresentam diferenças importantes entre as fabricantes.
Na avaliação dele, a situação da Jeep chama a atenção pela proporção do impacto, enquanto Volkswagen, Hyundai e Chevrolet também registram volumes expressivos.
Além da mudança na concorrência entre as marcas, o estudo identificou uma redução no preço médio de venda dos veículos usados e seminovos no Brasil.
O tíquete médio passou de R$ 88.545 em agosto para R$ 87.298 em setembro, o menor patamar registrado desde janeiro de 2026. A margem bruta média das operações também apresentou queda, de 9,9% para 9,8%.
Outro indicador que piorou foi o tempo necessário para vender os veículos disponíveis nos estoques das concessionárias. O giro médio subiu de 37 dias em agosto para 38 dias em setembro.
O cenário exige atenção dos estabelecimentos, que precisam equilibrar os preços pagos na aquisição dos veículos, as margens de lucro e a velocidade das vendas para manter a rentabilidade das operações.
Apesar dessas pressões, o mercado brasileiro de usados continua movimentando volumes expressivos.
Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), foram comercializados 14,2 milhões de veículos usados no país entre janeiro e setembro de 2026, alta de 6,4% em comparação com o mesmo período de 2025.
Entre os modelos fabricados de 2024 a 2026, o Chery Tiggo 7 ocupou a primeira posição no ranking de rentabilidade de seminovos em setembro. O SUV apresentou preço médio de venda de R$ 122.833, margem bruta de 10% e tempo médio de estoque de 26 dias.
O Renault Kwid ficou em segundo lugar, com preço médio de R$ 56.313. Apesar do valor mais baixo, o modelo registrou margem bruta de 11,7% e giro médio de 33 dias.
Na terceira posição, o Chery Tiggo 5x teve preço médio de R$ 102.775, margem bruta de 9,2% e tempo médio de estoque de 27 dias.
O ranking também reúne veículos de fabricantes tradicionais. O Fiat Mobi aparece em quarto lugar, com margem bruta de 12,4% e giro médio de 37 dias. Na quinta posição está o BYD Song Plus, com preço médio de R$ 175.192, margem de 8,7% e tempo de estoque de 31 dias.
Fiat Strada, Fiat Argo, Hyundai HB20, Volkswagen Polo e Toyota Yaris Hatch completam a lista dos dez modelos com melhor retorno sobre o investimento (ROI) no período analisado.
Os resultados mostram que os modelos chineses já ocupam posições de destaque também na rentabilidade do mercado de seminovos, embora veículos de marcas tradicionais continuem competitivos em indicadores como margem bruta.
A edição de outubro do Estudo MegaDealer de Performance de Veículos Usados utiliza informações de 3.471 concessionárias, vinculadas a 26 marcas e conectadas à plataforma Auto Avaliar.
O levantamento é divulgado mensalmente e acompanha indicadores do varejo automotivo, incluindo preços médios, margens de lucro, tempo de permanência dos veículos em estoque e rentabilidade por modelo.
A MegaDealer desenvolve estudos e soluções voltados à gestão e ao desempenho de concessionárias, redes e grupos automotivos.
Já a Auto Avaliar é uma empresa de tecnologia especializada na conexão entre concessionárias e lojistas, com ferramentas para avaliação, compra, venda e gestão de veículos usados e seminovos.